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Julgamento de Cavalcante � adiado mais uma vez

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RÓDIO NOGUEIRA/DORGIVAL JUNIOR Atendendo a pedido do advogado do réu, Welton Roberto, que alegou problemas de saúde, a Justiça adiou, pela terceira vez, agora para 17 de fevereiro, o julgamento do ex-tenente-coronel Manoel Francisco Cavalcante, acusado de ser o intermediário no assassinato do ex-chefe de arrecadação da Secretaria da Fazenda, Sílvio Carlos Luna Vianna. Ontem foi iniciado apenas o julgamento do ex-soldado da Polícia Militar de Alagoas (PM) Garibaldi Amorim, acusado de ser um dos autores materiais do crime. Até as 22 horas de ontem, apenas duas testemunhas, Irineu Torres, ex-presidente do Sindicato dos Fiscais de Renda de Alagoas (Sindifisco), e o PM Paulo Jorge da Silva, ambos arrolados pela promotoria, haviam sido ouvidas, de um total de sete entre defesa e acusação. O tributarista Sílvio Vianna foi emboscado e morto com vários tiros de pistola, às 19h30 do dia 28 de outubro de 1996, em um trecho do distrito de Ipioca, na região norte do Estado por três pistoleiros. Apesar de Cavalcante ter sido levado para o Tribunal do Júri (3ª Vara Criminal), o juiz José Braga Neto recebeu um atestado médico do advogado Welton Roberto, defensor do militar, alegando estar com edema nas cordas vocais e que, por este motivo, não teria condições de fazer a defesa do seu cliente. O juiz, então, liberou o réu, que voltou escoltado para o presídio Baldomero Cavalcanti. As testemunhas arroladas pela Justiça se fizeram presentes. O advogado Welton Roberto, que entregou pessoalmente o atestado médico, disse que com a saúde abalada não teria condições de defender Manoel Francisco Cavalcante. ?Estou realmente com problemas nas cordas vocais e se forçar terei graves problemas. No entanto, continuo acreditando que a execução de Sílvio Carlos Luna Vianna está ligada ao primeiro grupo indiciado no inquérito presidido pelo delegado Flávio Saraiva da Silva?, explicou o advogado de Manoel Francisco Cavalcante. O advogado e irmão de Sílvio Luna Vianna, Sérgio Vianna, ao tomar conhecimento de mais uma mudança de data disse que o réu, Manoel Francisco Cavalcante, está fugindo da própria culpabilidade com tantos adiamentos. ?A aflição de nossa família é grande. Nós queremos, efetivamente, que a sessão do júri aconteça e que os culpados sejam condenados. Pela terceira vez nossas expectativas foram frustradas e saímos do fórum tristes com mais uma mudança de data?, lamentou. No processo, Manoel Francisco Cavalcante aparece como o homem que articulou o homicídio, que teve a participação direta do ex-soldado da PM Garibaldi Santos Amorim e do fazendeiro José Fernandes Neto (Fernando Fidélis), como os homens que dispararam suas armas e mataram Sílvio Carlos Luna Vianna, que prometia entregar ao governo do Estado um dossiê com nomes de influentes empresários envolvidos com sonegação fiscal. O delegado Flávio Saraiva da Silva, arrolado pelo advogado de Cavalcante, disse que tudo o que sabe a respeito da morte de Sílvio Vianna está contido no primeiro inquérito em poder da justiça. ?É exatamente isto que vou dizer a Sua Excelência, o magistrado, e nada mais?, declarou Flávio Saraiva. Em depoimento prestado à Justiça, Manoel Francisco Cavalcante disse que na noite do dia 28 de outubro de 1996, data da execução de Sílvio Vianna, se encontrava na companhia do juiz Antônio Bittencourt, do empresário Carlos Bueno, de dois militares e do chefe de sua segurança pessoal, o ex-soldado PM Garibaldi Santos Amorim. O próprio Garibaldi, em novo depoimento prestado ao juiz José Braga Neto, ontem, voltou a reafirmar que naquela data estas pessoas estavam juntas em uma restaurante no bairro da Ponta Verde. Garibaldi, que foi o primeiro ouvido pelo magistrado e pelo promotor Marcos Mousinho, voltou a apontar os fiscais de rendas Arnaldo Persiano, Célio Viana e o cabo PM Sandro Guimarães como os verdadeiros matadores de Sílvio Vianna. ?O cabo Sandro confessou na polícia e na Justiça e depois mudou de versão. Soube que ele teria ganho um bom dinheiro para mudar a conversa?, frisou Garibaldi Santos Amorim. Testemunhas O fiscal de rendas Irineu Torres, que na época do assassinato era presidente do Sindifisco, em seu testemunho, alegou que Sílvio Vianna tinha o objetivo de combater as irregularidades encontradas na Secretaria da Fazenda. ?Ele não temia pela sua vida. Achava apenas que poderia ser exonerado do cargo?, frisou Irineu Torres. Irineu declarou, ainda, que chegou a ser procurado por Cavalcante, por telefone, para que ele e Sílvio Vianna não criassem obstáculos à indicação feita pelo então secretário de Fazenda, José Pereira, ao governador Divaldo Suruagy, de dois fiscais para o Conselho Tributário. No depoimento, Irineu declarou, ainda, que durante o processo de investigação da morte de Sílvio Vianna foram feitas perícias na arma apreendida em poder do cabo Sandro Guimarães em institutos de criminalística de Brasília, Salvador e Rio Grande do Sul, onde os resultados negativos confirmaram que os tiros que mataram Sílvio Vianna não teriam sido deflagrados daquela arma. Ele encerrou alegando ter recebido a informação de Ebson Vasconcelos de que Garibaldi Amorim e Fernandes Fidélis teriam sidos os autores do crime. Também estava no Fórum para depor um homem usando um capuz. Seria José Antonio dos Santos, ex-assessor de Cavalcante e única testemunha de acusação ainda viva.

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