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Centro Er� denuncia viol�ncia policial contra meninos de rua

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FÁTIMA VASCONCELLOS A coordenadora do Centro Erê, Cristina Nascimento, denunciou ontem, à imprensa, que em pleno feriado do Natal, no dia 25, os policiais militares que fizeram ronda pelas praças de Maceió obrigaram os meninos de rua a fazer faxina nesses logradouros. ?Foi o presente que eles ganharam do poder público: lavar praças como a Deodoro e dos Martírios, onde costumam dormir. Quem resistiu foi agredido fisicamente?. Cristina afirmou que em mais de dez anos de trabalho como educadora voluntária dos meninos de rua, e mais recentemente como coordenadora do Centro Erê, uma Ong voltada à assistência a crianças e adolescentes sem referência familiar, nunca soube de agressão do gênero em plena noite de Natal. ?Os meninos relataram cenas de terror, praticadas por policiais fardados. Nós esperamos que sejam tomadas as devidas providências porque polícia tem que dar exemplo, respeitando a lei. O Estatuto da Criança e do Adolescente é objeto de estudo durante a formação militar. A sociedade precisa de uma polícia humanizada, amadurecida e, sobretudo, preparada para prestar segurança aos cidadãos, indistintamente. O que houve foi uma violação à cidadania desses menores, ao Estatuto, aos direitos humanos e um desrespeito à sociedade, como um todo?, desabafou. Agressão Ela enfatizou que os meninos de rua já são agredidos no dia a dia, passando fome, frio, falta de afeto, rejeição generalizada, têm medo não só dos policiais mas, a grosso modo, de todos que não são do seu meio social. ?Eles vivem com espírito armado. Têm consciência da repulsa que a maioria das pessoas tem por eles e se defendem, também, de maneira meio grotesca. O poder público tem a função de acolher esse segmento de cidadãos e oferecer condições necessárias para tirar os meninos de rua da marginalidade. Ao invés disso, o que vem é uma carga de violência ainda maior. Tem menino que de repente some do grupo e ninguém tem mais notícia. Depois que um desaparece, os colegas contam ter visto quando alguém parou o carro e levou o colega embora, com ameaça de morte. A situação é grave mas é real?, afirma Cristina. A coordenadora do Núcleo Temático da Criança e do Adolescente da Universidade Federal de Alagoas, Cláudia Malta, que fez um estudo recente sobre meninos de rua, mostra que em Maceió 1.019 menores moram nas ruas, dormem ao relento, em praças, canteiros ou obras em construção. Segundo ela, 57% desenvolvem alguma atividade informal de geração de renda. De acordo com Cristina, a maioria dos meninos que vivem nas ruas não tem motivação suficiente para freqüentar uma escola durante todo o ano. ?É diferente das crianças que sempre tiveram casa, afeto, família, comida, respeito e garantia dos seus direitos. É imperativo dar o acesso a esses direitos para colher uma perspectiva de vida melhor da criança?, concluiu.

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