Polícia
Policiais v�o ocupar Batalha para evitar conflitos
EDNELSON FEITOSA/CÉLIO GOMES Um efetivo conjunto das polícias Civil e Militar vai ocupar, nos próximos dias, o município de Batalha, a 176 quilômetros de Maceió, no sertão de Alagoas. A informação é do secretário de Defesa Social, Robervaldo Davino da Silva. A decisão, anunciada ontem, é conseqüência do episódio em que Jasson Lacerda Cavalcante e Gil César Marques da Rocha foram postos em liberdade, no último domingo, pelo juiz José Zacarias Sobrinho, da Comarca de Batalha, onde ocorreram as prisões. Os dois homens haviam sido presos sob acusação de porte ilegal de arma. Fazer cumprir a nova lei do Estatuto do Desarmamento foi o que levou a polícia a efetuar as prisões, na quinta-feira da semana passada. Três dias depois, os dois foram libertados por ato do juiz Zacarias, que acatou argumentos do advogado dos presos. O caso criou polêmica em torno da decisão do magistrado e contrariou o delegado regional de Batalha, Cícero Torres. Sem entrar no mérito da decisão do juiz, o delegado se disse revoltado porque, segundo ele, o relaxamento da prisão prejudica o combate à violência na região de Batalha. ?O sentimento de impunidade é muito grande no lugar?, disse. Para o delegado, ?ou a polícia se faz presente com firmeza ou os ânimos podem ficar mais acirrados?. O ?acirramento? neste caso passa longe da simples polêmica sobre porte de armas e Estatuto do Desarmamento. Os dois presos libertados pelo juiz são ligados à família dos irmãos fazendeiros José Laércio Rodrigues (conhecido como Laércio Boiadeiro) e Adelmo Rodrigues (o Neguinho Boiadeiro). Em agosto de 1999, Jasson, Neguinho Boiadeiro e Laércio foram indiciados pela polícia como suspeitos do assassinato do ex-prefeito de Batalha, José Dantas Rodrigues (Zé Miguel), e de sua esposa, Matilde Toscano. O duplo crime aconteceu numa emboscada, na madrugada de 19 de março de 1999, numa estrada em Jaramataia. Em setembro do mesmo ano, o promotor Cláudio Brandão denunciou cinco pessoas ao Ministério Público como participantes do crime. Neguinho Boiadeiro ficou de fora, mas seu irmão, Laércio, está entre os denunciados. Um dos presos (que o juiz Zacarias soltou no caso do porte de armas, agora) também foi denunciado pelo Ministério Público por participação direta no crime. Ele é Jasson Lacerda, e esse é o principal motivo da tensão que, segundo as autoridades, toma conta da região. O juiz Zacarias, o delegado Cícero Torres e o secretário Davino acreditam que o fato é capaz de gerar algo mais grave em Batalha. Mediador Na última terça-feira pela manhã, o juiz de Batalha, José Zacarias Sobrinho, participou de um encontro que ele chamou de ?conversa de conciliação?. Aconteceu numa sala fechada no Fórum de Justiça do município. Nessa reunião, a missão do juiz foi mediar um compromisso entre o vereador Sandro Pinto (aliado da família do ex-deputado Luiz Dantas, irmão de Zé Miguel) e o fazendeiro Adelmo Rodrigues, o Neguinho Boiadeiro, cujo irmão, Laércio Boiadeiro, é acusado de ter assassinado Zé Miguel. A atitude do magistrado atendeu a um pedido, que ele prefere não revelar de quem partiu. ?Eu fui procurado por uma pessoa de uma das famílias, que me perguntou se eu poderia mediar essa conciliação, para acalmar os ânimos?, afirmou o juiz Zacarias. ?Não aconteceu nada de muito grave, mas a gente nunca sabe. Numa festa, numa farra, por causa desse clima, pode acontecer até uma tragédia?, comentou, por telefone, à GAZETA. Sabendo da situação delicada, o delegado Cícero Torres cobrou ajuda do secretário Robervaldo Davino. Por isso, o secretário tomou a decisão de enviar reforço policial para a região. Policiais dos batalhões militares de Arapiraca e Santana do Ipanema seguirão para Batalha junto com homens do grupo especial Tigre, da Polícia Civil. ?O reforço policial vai ficar na região até a situação se normalizar?, disse o secretário. Cerca de 60 policiais farão parte da força que será deslocada até Batalha.