Polícia
Irineu acusa pol�cia de n�o apurar assassinatos de jovens
BLEINE OLIVEIRA O advogado Gilberto Irineu, que agora preside a ONG Frente Estadual de Defesa da Criança e do Adolescente, foi mais longe nas denúncias que fez sobre a matança de crianças e jovens alagoanos, publicadas esta semana pela revista IstoÉ, que já alcançaram repercussão internacional. Além de confirmar que 344 jovens de até 25 anos foram assassinados no Estado, Irineu disse que a Polícia Civil de Alagoas sequer abriu inquérito para apurar quase 50% dos 123 assassinatos registrados entre os meses de janeiro, fevereiro e março de 2003. Na avaliação do advogado, a reação do secretário de Defesa Social, delegado Robervaldo Davino, é incompreensível ?pois desde agosto ele tem conhecimento oficial dessa ilegalidade jurídica?. Mostrando ofício do Ministério Público Estadual, Gilberto Irineu reafirma que o governo do Estado, representado pelo secretário, está informado que ?as vítimas pobres da violência que impera em Alagoas não entram nos registros dos Cartórios Criminais?. O próprio Ministério Público constatou que 72 mortes não tiveram inquérito civil instaurado. ?Estamos diante de um escândalo nacional. Se o secretário nos convidar, a Frente está pronta a analisar junto com ele cada um dos nomes de menores assassinados?- declara o presidente da Frente Estadual. Ele disse que em fevereiro a entidade vai divulgar um relatório sobre violência doméstica e homicídio de crianças e jovens em Alagoas referente ao ano passado. Global Para Gilberto Irineu, talvez o secretário esteja considerando apenas os assassinatos de menores de rua, quando os números da Frente incluem todas as mortes de crianças e jovens de até 25 anos. ?Talvez por isso ele insista em dizer que os números não são tão elevados?- ironiza o advogado. Para ele, o governo tem a responsabilidade de esclarecer todos assassinatos, independente da classe social da vítima, e punir os responsáveis. O caminho, acrescenta ele, é esclarecer chacinas como as de União, Ibateguara, Vale do Mundaú e do conjunto Margarida Procópio. ?Se esses brutais assassinatos forem elucidados, chega-se aos grupos de extermínio?- assegura Gilberto Irineu. Ele acrescenta que o fim da violência depende de ações políticas capazes de garantir a crianças e jovens direitos elementares como saúde, educação e lazer. ?Não basta a ação repressiva, precisamos que os órgãos de assistência social tenham presença efetiva nas comunidades da periferia, nos grotões?- completa o advogado. As denúncias do advogado Gilberto Irineu sobre extermínio de crianças, adolescentes e jovens em Alagoas serão o foco de uma reunião que acontecerá hoje, às 10 horas, na sede da OAB. O encontro terá participação de representantes de entidades governamentais e da sociedade civil organizada.