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Polícia

Advogado denuncia exterm�nio de menores em AL

RÓDIO NOGUEIRA Desde que a revista IstoÉ publicou esta semana a reportagem “Adeus Meninos”, sobre execuções de meninos e meninas de ruas por grupos de extermínio em Alagoas, novas denúncias estão surgindo no Estado. Ontem, o advogado Mirabel Alves,

Por | Edição do dia 09/01/2004 - Matéria atualizada em 09/01/2004 às 00h00

RÓDIO NOGUEIRA Desde que a revista IstoÉ publicou esta semana a reportagem “Adeus Meninos”, sobre execuções de meninos e meninas de ruas por grupos de extermínio em Alagoas, novas denúncias estão surgindo no Estado. Ontem, o advogado Mirabel Alves, do Centro Zumbi dos Palmares, que trabalha com crianças e jovens, disse que Alagoas é um dos estados brasileiros onde mais se mata crianças e adolescentes de rua. Ele alerta que dos 123 assassinatos registrados no começo de 2003, 72% dos casos não têm inquérito. Na prática, segundo Mirabel Alves, nos inquéritos instaurados há falhas ou falta de interesse da segurança pública em se chegar à autoria. Mirabel Alves denunciou ainda o envolvimento de profissionais de segurança, sobretudo de policiais militares com execuções, lembrando a famosa Chacina da Praça Arnon de Mello – onde quatro adolescentes foram fuzilados. O advogado lembrou também a execução sumária de um menor na cidade de Palmeira dos Índios praticada por um PM. O representante do Centro Zumbi dos Palmares afirma existir interesses de comerciantes, políticos e outras pessoas em eliminar essas crianças e adolescentes. Para este segmento, segundo o advogado, a presença de menino de rua representa uma ameaça. O advogado denunciou a existência de um grupo de extermínio responsável pelos inúmeros assassinatos de jovens e reafirma a falta de interesse dos órgãos de segurança em esclarecer os crimes, identificar os autores e mandá-los para a cadeia por que provas do envolvimento de policiais são retiradas dos inquéritos. Mirabel também disse que os órgãos de segurança pública do Estado têm amplo conhecimento da matança de meninos de rua e que uma testemunha da Chacina da Praça Arnon de Melo foi executada dentro de sua casa por pistoleiros. A matéria da IstoÉ foi contestada ontem pelo presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, seccional Alagoas (OAB/AL), Marcos Mello. Segundo ele, os dados apresentados pela reportagem sobre assassinatos de meninos e meninas de rua em Maceió não são fruto de nenhuma “pesquisa séria feita pela Ordem”, afirmou. Para ele, o critério utilizado para a suposta pesquisa realizada pela Ordem foi o “achismo”. Ele também esclareceu que o advogado Gilberto Irineu, responsável pela divulgação do relatório, não representa mais a OAB/AL.

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