Polícia
Fam�lia vive h� 10 anos no fogo cruzado
O casal Geovane Araújo Costa, 66 e Maria Lourenço, 68, reside há dez na Rua São José, na parte baixa da Grota da Alegria, e está acostumado com tiroteios, assaltos, tráfico de drogas, perseguição policial quando se reage com a lei e assassinatos. Já viu muitos corpos crivados de balas jogados no riacho que corta a grota, de jovens vítimas de ?galeras?. Não tendo condições de sair do local, em função da situação financeira, às 19h fecham a casa. A atração é a televisão. Lá fora, os tiros ecoam na noite escura. Na manhã seguinte, é quase certo achar cadáver. Maria Lourenço diz ter consciência do perigo que significa denunciar a violência na grota, mas entende ser importante que as autoridades saibam do que acontece, para poder reagir e levar um pouco de paz ao local. ?Sou uma mulher de 68 anos que há dez escapa do fogo cruzado com a família. Tenho medo de ser a próxima vítima, porque bandido não respeita idade nem sexo. Posso, no entanto, afirmar que a Grota da Alegria é ponto de bandidos?, alerta a aposentada. Risco Geovane Araújo Costa diz que é realmente um risco ficar denunciando os bandidos que infestam a grota. Mas acha que o silêncio da população é pior. Fico sentado na porta de minha casa e na esquina a bandidagem fuma maconha e assalta. O bando me respeita por conta da minha idade mas eu não boto muita fé por que vi pessoas idosas ser crivada de bala no meio da rua -, completa Geovane Araújo Costa que disse nunca, em toda sua vida, ter colocado uma arma na cintura. José Rodrigues tem 38 anos, é filho do casal e tem a mesma opinião. Diz não ter receio de falar sobre a violência na Grota da Alegria. ?O sistema de segurança pública sabe o que ocorre num lugar miserável. Falta agir com maior rigor e colocar a polícia para trabalhar?, enfatiza José Rodrigues.