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Benedito Bentes sob o dom�nio do medo

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RÓDIO NOGUEIRA Homicídios, assaltos a ônibus e tráfico de drogas. Essa é a realidade atual do maior bairro de Maceió, que nasceu de um conjunto habitacional, inaugurado em 26 de fevereiro de 1986. Em 2003, foram registrados 36 homicídios, segundo estatística do Instituto Médico Legal Estácio de Lima. No Benedito Bentes, distante do centro de Maceió cerca de 20 quilômetros, a população convive diariamente com tiroteios entre ?galeras? pelo poder das ?bocas-de-fumo?. Em cada esquina, uma cruz representa o sangue derramado de uma vítima acuada e furada de bala pelo seu algoz. A lei é do mais forte. E até a polícia é recebida à bala. Sob o domínio do medo a população aflita busca refúgio se isolando dentro de sua própria casa. Sair à noite nem pensar. Bater o velho papo à porta é coisa do passado. O clima é de guerra civil e o desfile de urnas funerárias pelas ruas do Benedito Bentes se tornou uma cena normal porque o difícil é um fim de semana sem ocorrer pelo menos um assassinato. Em 2001, os traficantes decretaram toque de recolher e cobravam pedágio. As polícias Civil e Militar decidiram acabar com a festa prendendo alguns líderes de ?galeras? e dando um pouco de paz às aflitas famílias ali instaladas, mas ainda não tiveram força para fincar a bandeira da paz, tão sonhada pelos habitantes do bairro. A violência tem levado às ruas pessoas desesperadas, angustiadas, cercadas pelo medo e com o futuro incerto. Ninguém mais acredita que a paz possa ser restabelecida para os 120 mil habitantes. Os mais antigos moradores explicam que bons tempos eram aqueles possíveis de ir à missa e voltar para casa vivo. Nos dias atuais, não se pode sequer pensar nessa possibilidade, dado o número de homicídios praticados no complexo habitacional Benedito Bentes. Por conta da matança indiscriminada muita gente está vendendo suas casas e fugindo do fogo cruzado e certeiro.

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