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PM apreendeu 600 armas brancas em 2003

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A Polícia Militar apreendeu, ano passado, cerca de 600 armas brancas, em Maceió. No entanto, ninguém foi indiciado em inquérito. Em março de 2003, ocorreu o maior número de apreensões. Foram 103 facas em 30 dias. ?Armas portadas sem qualquer tipo de punição, disponíveis para matar.?, afirmou um assessor da Polícia Civil. O setor de estatísticas da Polícia Civil revelou que, em quinze dias, ocorreram 22 flagrantes por porte ilegal de arma de fogo. Em um dos casos, a arma estava com uma mulher que foi autuada e está recolhida a carceragem da Delegacia do 4º Distrito. Mercado Sem sofrer qualquer tipo de repressão dos órgãos de segurança pública, a venda de arma branca (faca-peixeira) no comércio e mercado de Maceió é livre e qualquer cidadão pode adquirir de acordo com a polegada que lhe interessa. Basta se deslocar até a feira e pagar entre 9 e 12 reais pelo produto e ser mais uma pessoa armada, pronta para se defender ou cometer um homicídio conforme a situação em que se deparar. Mas, segundo alguns vendedores, muitas pessoas compram para usar em suas atividades do cotidiano. Enquanto as facas ficam expostas sobre pequenas bancas de madeira ocupando até mesmo quadras da Feira do Passarinho no Parque Rio Branco, as policias Civil e Militar por falta de um dispositivo constitucional não podem recolher. E assistem pacificamente as vendas. Podem recolher se flagrar alguém portando na cintura. Ocorrência Neste caso, o preso é levado para a Delegacia de Plantão e é feito um Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO) e colocado em liberdade por ser considerado o porte de arma branca contravenção segundo alguns delegados de polícia. O Parque Rio Branco agrega os maiores vendedores de faca que, sem medo da polícia, expõem seus produtos livremente e pagam uma taxa de 90 centavos de quarta a sábado, a administração do Mercado da Produção pelo espaço que ocupa. A facilidade com que se adquire uma faca naquela localização tem sido a causa de bárbaros homicídios. Mas, o comércio é livre. Compra quem quer. ?Tenho uma pequena banca onde vendo minhas peças e não quero nem saber o que o cliente vai fazer com elas. Vivo deste ramo e preciso de dinheiro para manter minha família?, explicou José Cícero Santos. Manuel Ferreira é outro vendedor que explicou não querer saber por que fulano ou beltrano foi a sua banca e comprou uma faca. ?Não é papel meu ficar procurando saber para que o cliente quer o produto. Se eu me preocupar com isto não vendo nada e vou morrer de fome. Estou no ramo há mais de dez anos e sei que quem mais compra é marginal. Sei também que muitos donos de casa também adquirem?, relatou Manuel Ferreira que afirmou ter sido testemunha de crimes registrados por conta da facilidade de se colocar uma faca na cintura. Assalto Alguns comerciantes alertam que menores viciados em drogas estão comprando facas para cometer assaltos. Neste caso, a polícia precisa identificar a prender por se tratar de crime. Temendo sofrer represália um comerciante que tem uma banca na entrada do Mercado da Produção que se identifica por Bruno denuncia que há bandalheira neste ramo. ?Eu vendo facas para marginais e sei exatamente do que eles são capazes de fazer. Em 1995, por volta das 11h30, um senhor de aproximadamente 50 anos foi agredido por um elemento que estava com ele em um bar. Desmoralizado e abatido o agredido saiu do local foi até a primeira banca, comprou uma faca de 12 polegadas voltou ao bar e matou o agressor?, lembrou Bruno. Em 1970, um conhecido funcionário publico federal, residente na Rua Barão de Penedo no centro de Maceió, após ser agredido pelo conhecido marginal ?Zonzeira?, usou do mesmo expediente. Ele havia sido agredido em um bar. Com o rosto sangrando ele foi a primeira banca, comprou uma faca e cometeu o homicídio. Meses depois foi julgado e absolvido pela Justiça.

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