Polícia
Agentes amea�am parar e p�r em risco sistema penitenci�rio
Os agentes penitenciários dos presídios Ciridião Durval, Baldomero Cavalcanti, São Leonardo e da Penitenciária de Arapiraca realizaram, na manhã de ontem, uma greve de advertência de 4 horas e ameaçaram uma paralisação total, pondo em risco todo o sistema prisional do Estado, caso não recebam os salários de dezembro. Os vencimentos da categoria estão atrasados e eles garantem não haver previsão de pagamento, que deveria ter sido efetuado entre os dias 10 e 15 de janeiro. Em todo o sistema prisional existem cerca de 500 agentes penitenciários. O agente Daniel Wagner Nascimento Lima, que falou como representante da classe, advertiu para o fato de que o diálogo com os diretores do presídio só foi iniciado porque houve a decisão de paralisar as atividades, na manhã de ontem. Ele trabalha no presídio Ciridião Durval, onde negociou uma espécie de trégua com o diretor, Alexandre Braga. ?Se não recebermos logo uma resposta da secretaria, voltaremos a cruzar os braços?, declarou. Os agentes penitenciários trabalham em regime de serviços prestados no Estado. Não têm direito a se organizar em sindicato, nem garantia de emprego. Daniel Wagner reclamou, também, dos salários: R$ 285,00, quando um policial, que realiza trabalho semelhante, ganha cerca de R$ 800,00. Ganham menos, mas trabalham mais: a carga horária é de 24 por 48 horas, quando a dos policiais é de 24 por 72. Os agentes do Baldomero Cavalcanti também negociaram com o diretor, capitão Paranhos, mas paralisam as atividades hoje, se a situação salarial não se normalizar. Eles alertam para os riscos de uma greve, num sistema que é considerado um ?barril de pólvora?. ?Nós ajudamos a manter os presos calmos. Se pararmos, fatalmente haverá rebelião nos presídios?, afirmou um agente do Baldomero. Apoio da PM Com a paralisação de advertência e a ameaça de greve, a cúpula da Secretaria de Justiça solicitou apoio da Polícia Militar, que deslocou homens do Batalhão de Operações Especiais (Bope) para os três presídios de Maceió. Não há informações da intervenção da PM no presídio de Arapiraca. Segundo os agentes penitenciários, a greve de advertência afastou, também, os policiais civis lotados nas unidades prisionais. Houve um alto índice de falta ao trabalho, no dia de ontem. ?Eles não se rebelaram aqui no Ciridião Durval porque decidiram ajudar a gente?, revelou Daniel. Os diretores dos presídios onde houve paralisação dos agentes se reuniram com o secretário de Ressocialização, coronel Jurandir Ferreira de Araújo, falaram da situação e pediram uma solução imediata para o caso. O tenente PM Alexandre Braga, do Ciridião Durval, afirmou que a volta ao trabalho só foi possível porque os agentes tinham dado um crédito a ele. O secretário e os diretores foram à Secretaria da Fazenda (Sefaz) com o objetivo de agilizar os recursos, que não foram liberados, segundo uma fonte da Sefaz, em virtude de a Secretaria de Ressocialização, recém-criada, não ter CNPJ, antigo CGC, para viabilizar o recebimento e o repasse dos recursos. O anúncio é de que o pagamento sai hoje.