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Exames de DNA comprovam duplo assassinato

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Integrantes da cúpula da Polícia Civil alagoana informaram ontem à GAZETA DE ALAGOAS que dois policiais, um civil e outro militar, que fazem parte da segurança do deputado estadual João Beltrão (PMDB), são os principais suspeitos de seqüestrar e assassinar, em Coruripe, o vendedor de jóias José Cerqueira, 38, e seu motorista, Magelo da Silva, 20. A revelação foi feita logo após a divulgação dos exames de DNA que confirmaram que as ossadas encontradas no canavial da Usina Guaxuma eram das duas vítimas, desaparecidas desde agosto do ano passado, quando realizavam cobranças a fazendeiros e políticos do município, distante 130 quilômetros de Maceió. O próximo passo para o desfecho do caso, segundo a polícia, será o pedido de prisão preventiva dos dois policiais, que pode ser encaminhado à Justiça a qualquer momento. A polícia não quis revelar o nome dos dois suspeitos, com receio de que eles fujam do Estado. Os exames de DNA, com resultado positivo de identificação para as duas ossadas, foram liberados ontem pelo médico Luiz Antônio Ferreira da Silva, coordenador do Programa de Identificação Humana e Diagnóstico Molecular da Universidade Federal de Alagoas. Para comparação do DNA foram extraídas amostras do fêmur das ossadas e comparadas com sangue coletado de Ana Maria Cerqueira, mãe de José Cerqueira, e de Cícera da Silva, mãe de Magelo da Silva. Segundo o laudo do DNA, a margem de acerto é praticamente total: 99,9%. O delegado de Coruripe, Marcílio Barenco, é o responsável pela seqüência das investigações, iniciadas no ano passado pelo delegado Cícero Torres, quando Cerqueira e Magelo desapareceram. Uma fonte da Secretaria de Defesa Social confirmou ontem à GAZETA que existem elementos suficientes para solicitação da prisão preventiva dos dois suspeitos, já que, segundo a polícia, testemunhas deram pistas de que eles participaram do crime. Cobranças As versões sobre a viagem de José Cerqueira a Coruripe são contraditórias, desde o início das investigações. Logo após o desaparecimento dele, sua mãe, Ana Maria Cerqueira, afirmou que o filho viajou ?para cobrar uma dívida ao deputado João Beltrão?, mas terminou não recebendo o dinheiro e desapareceu. Na época das investigações, o deputado João Beltrão declarou, em entrevistas à imprensa alagoana, que José Cerqueira não foi lhe cobrar, mas sim, vender jóias. Beltrão admitiu, inclusive, ter comprado entre R$ 5 mil e R$ 8 mil em jóias. Ainda assim, o deputado não chegou a ser convidado para prestar esclarecimentos formais à polícia. Durante toda a tarde e noite de ontem, a GAZETA DE ALAGOAS tentou ouvir o deputado sobre o assunto, mas ele estaria fora de Alagoas. ?O deputado está em uma de suas fazendas fora do Estado, mas não sei qual é?, informou seu chefe de gabinete, Luciano Rocha. Sobre a ligação do parlamentar com os policiais suspeitos no caso, Rocha disse que ?somente o deputado pode falar sobre o assunto? e acrescentou que ?até segunda-feira, Beltrão deve estar de volta?. A GAZETA também falou, por telefone, com um irmão do deputado, Márcio Beltrão. Ele confirmou que o parlamentar está viajando. ?Eu não tenho certeza, mas acredito que ele está em Tocantins?, disse. Segundo Márcio Beltrão, o deputado deve voltar para Alagoas no sábado ou domingo. O irmão de João Beltrão afirmou, também, que não poderia falar sobre o caso do comerciante de jóias, ?um assunto que só ele [Beltrão] pode explicar?. Nas investigações que realizou, o delegado Cícero Torres confirmou que José Cerqueira, acompanhado do motorista, Magelo, realmente esteve na casa de João Beltrão. Os dois teriam visitado outros clientes e foram para a pousada Pontal do Coruripe. Cerqueira tinha em seu poder, segundo as investigações do delegado, cerca de R$ 60 mil em jóias, além de dinheiro e notas promissórias. Um dos supostos clientes visitados pelo vendedor era um dos seguranças de Beltrão, que deverá ser indiciado no inquérito, de acordo com as fontes policiais. José Cerqueira sumiu, junto com Magelo da Silva, que dirigia seu veículo Palio, provavelmente quando saiu da pousada. O veículo que os dois usavam foi visto deixando Coruripe. No entanto, uma testemunha garante que o vendedor e seu motorista já não estavam no automóvel. A cúpula da Polícia Civil informou que as investigações serão aprofundadas. Várias testemunhas serão ouvidas novamente e os suspeitos serão intimados para interrogatório.

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