Polícia
Clima de revolta entre familiares dos detentos
Dezenas de familiares de detentos permaneceram por quase cinco horas em frente ao presídio Baldomero Cavalcanti, na manhã de ontem, enquanto aguardavam o fim da rebelião, iniciada logo após o café da manhã. A tensão e o medo ficaram mais aparentes quando chegaram as viaturas do Batalhão de Operações Especiais da Polícia Militar (Bope) ? que, em poucos minutos, ocupou o prédio. No entanto, o desespero foi total quando surgiram os primeiros estampidos e notícias de feridos. O subcomandante do Bope, major Do Vale, explicou que foi preciso a utilização de bombas de gás lacrimogêneo e de efeito moral para sufocar os outros dois Módulos (3 e 4), que tentaram entrar no motim, liderados pelo detento Cícero Cirilo da Silva, o ?Bad Boy?. Aos gritos, dona Egivalda Barbosa Santos exigia dos policiais que estavam posicionados no portão de entrada do presídio, que dessem notícias de seu irmão, Manoel Messias, que já cumpriu a maior parte de sua pena e está às vésperas de sair. Ele é um dos detentos do Módulo 1, onde a negociação foi mais demorada. Denunciando que, na última quinta-feira, seu filho, Sérgio Ricardo dos Santos, declarou que estava passando fome dentro do Baldomero, dona Ana Santos Costa afirmou que se ele entrou na rebelião é porque está revoltado, pois já deveria estar em liberdade. ?Ele cumpriu sua pena, por tráfico, e já deveria estar em liberdade. Só que a Justiça demora demais?, protestou.