Polícia
Rebeldes fizeram �ltimo aquartelamento
Em 29 de junho de 2001, em assembléia geral, os policiais militares, que protestavam contra a decisão do governador Ronaldo Lessa (PSB) de não conceder um reajuste à categoria, decidiram pelo aquartelamento geral. No dia 30 de junho, um grupo de PMs liderado pelo soldado Wagner Simas e o major Hermes, da Associação de Oficiais, tentou convencer os militares do 1º Batalhão da Capital, situado no Farol, a aderirem ao aquartelamento. Durante a ação, os oficiais de plantão no 1º Batalhão proibiram o acesso dos líderes das associações e deram voz de prisão aos militares que participavam do ato de protesto, que se negaram a aceitar a ordem dos superiores hierárquicos. O incidente no 1º Batalhão serviu para enfraquecer o movimento e precipitou o fim da rebelião militar. Os policiais envolvidos nos protestos foram punidos e denunciados por crimes militares. Em 2002, o promotor substituto da Vara Militar, Cláudio José Brandão Sá, denunciou o presidente da Associação de Cabos e Soldados, Wagner Simas, os majores João Jonas Gomes e Hermes Cordeiro de Melo, os sargentos Ednor Nascimento Santos e José Alberto da Silva Santos e o cabo Marival Rocha Messias. Os seis foram acusados de motim, omissão à lealdade militar, conspiração, aliciamento para motim, apologia de fato criminoso e violência contra superior. Em caso de condenação, os seis militares serão expulsos da PM e podem pegar de 8 a 30 anos de prisão. ?Justiça de Deus? O presidente da Associação de Cabos e Soldados, Wagner Simas, não é nada otimista sobre o resultado do julgamento de hoje, e diz que só confia na ?justiça de Deus?. Ele alega que o processo, em sua fase inicial, tinha um forte componente político que, segundo ele, já foi superado. ?Não cometemos nenhum desses crimes de que estamos sendo acusados e não acho justo sermos julgados por crimes militares. Naquela época, o processo tinha conotação política, mas acho que essa fase já foi superada. Hoje, só acredito na justiça de Deus, mas espero que a justiça dos homens possa prevalecer?, concluiu Simas. Segundo o juiz James Magalhães, o julgamento dos seis militares só deve terminar amanhã à noite. O processo tem mais de 1.600 páginas e, como vai privilegiar o amplo direito de defesa, faz prever um julgamento longo. (GF)