Polícia
Mulher � presa vendendo vaga na fila de posto m�dico
Uma mulher foi presa, ontem, vendendo vagas na fila do Posto de Saúde do Clima Bom. Segundo denúncia das lideranças comunitárias locais, Divaci Borges de Oliveira, de 53 anos, cobrava de R$ 5 a até R$ 25 por vaga, dependendo da especialidade médica pretendida pelo usuário. Ela chegava a faturar R$ 700 mensais com a fraude. Divaci foi levada para a Delegacia de Defraudações, mas acabou sendo liberada sem ser enquadrada em crime. Segundo informações da delegacia, não pôde ser lavrado o flagrante porque não havia provas da cobrança ilegal. Divaci foi detida por policiais militares disfarçados, que se fizeram passar por usuários do posto. O gerente do posto de saúde, Célio Freire, disse que, tão logo ficou sabendo da atuação da fraudadora, comunicou o caso ao conselho gestor de saúde da comunidade, que possui, entre seus integrantes, representantes dos moradores. Foram eles que denunciaram o caso à Polícia Militar. Há duas semanas, foi iniciada uma investigação sigilosa por membros do serviço de inteligência do 4º Batalhão, que tem jurisdição sobre o bairro. À paisana, os militares passaram a freqüentar a fila e identificaram Divaci, que, segundo os denunciantes, na verdade, está à frente de uma ?rede? de vendedoras ilegais de vagas na fila. Por causa da demanda, as consultas só são marcadas para, no mínimo, duas semanas depois. Para conseguir as vagas, os moradores dizem ser obrigados a chegar à fila de madrugada ou mesmo na noite da véspera; ou então se submeter às ?vendedoras de lugar?. Para as especialidades médicas mais procuradas, o lugar na fila custa mais caro. Ontem, dois militares disfarçados negociaram com Divaci e, na hora em que ?fecharam? a compra da vaga na fila, a detiveram pela prática ilegal. Entretanto, na Delegacia de Defraudações, o caso não foi considerado como flagrante de nenhuma prática criminosa ? pelo fato de a prisão ter sido feita por militares que prepararam o flagrante. Sob a alegação de que não havia vítima nem prova real da venda, o flagrante sequer chegou a ser lavrado e Divaci Borges foi liberada. (FF)