Polícia
Bergson Toledo � investigado pela Pol�cia Federal
GILVAN FERREIRA O ex-superintendente da Polícia Federal em Alagoas, delegado Bergson Toledo Silva, começou a ser investigado pela corregedoria da Polícia Federal por seu suposto envolvimento em crime de prevaricação. Bergson Toledo, que durante oito anos comandou a DPF em Alagoas ? e desde o ano passado ocupa o mesmo cargo no Ceará ?, é acusado de tentar desviar os rumos do inquérito policial 144/2002, que apurou denúncias de envolvimento do diretor-geral do Centro de Educação Tecnológica (Cefet) de Alagoas, Mário César Jucá, em irregularidades. A denúncia envolvia um suposto benefício proporcionado pelo diretor Mário César Jucá à sua esposa, a odontóloga Maria Augusta Cunha Jucá, que, ao se inscrever num concurso para o Cefet, usou o nome de solteira para evitar a sua relação com o diretor-geral, seu marido. Maria Augusta passou em primeiro lugar. A fraude foi descoberta pela funcionária Sueli Alves, segunda colocada no concurso, e denunciada ao Ministério Público Federal. O procurador federal Delson Lyra acatou a denúncia e a encaminhou à Polícia Federal. O delegado Bergson Toledo pediu para assumir as investigações do inquérito policial contra o diretor do Cefet, Mário Jucá. Toledo já tinha deixado o cargo de superintendente e esperava a sua transferência para assumir cargo na Polícia Federal, em Brasília, mas teria apressado a conclusão do inquérito, que apontou para a inocência de Mário Jucá. Informada sobre o encaminhamento do processo para beneficiar o diretor do Cefet, Mário Jucá, a funcionária Sueli Alves encaminhou nova denúncia ao Ministério Público Federal e à Ouvidoria Geral da União, que determinou ao diretor-geral da Polícia Federal, Paulo Lacerda, a abertura de investigação para apurar a denúncia. Afastamento No final de janeiro, o diretor Mário César Jucá foi afastado da direção do Cefet pelo ministro da Educação, Cristovam Buarque, sob acusação de desvio de recursos, fraude em licitações e convênios e irregularidades em convênios do Cefet. Uma comissão formada por dois técnicos do MEC e uma procuradora federal está concluindo o relatório final, que poderá indicar a demissão de Mário César Jucá do cargo. Risco de punição O corregedor da Polícia Federal em Alagoas, Joacir Avelino, disse que o diretor da Polícia Federal indicou um delegado especial para apurar as denúncias contra Bergson Toledo. O delegado já pediu o envio de cópias do inquérito 144/2002 e de informações sobre o caso. O delegado Bergson Toledo, que atualmente responde pela superintendência da Polícia Federal do Ceará, foi procurado pela GAZETA para falar sobre as acusações, mas não foi encontrado. Em contato da reportagem com a superintendência da PF no Ceará, a informação do agente Miranda foi de que o delegado Bergson Toledo não se encontrava na sede do órgão. Os telefones para contato foram repassados, mas até ontem à noite, não houve retorno. Um dos delegados da Polícia Federal que teve acesso ao processo contra Bergson Toledo, revelou que ele deve responder a um processo administrativo disciplinar e poderá ser citado no artigo 319 do Código Penal (prevaricação). Em caso de condenação, Bergson Toledo pode pegar de 3 meses a 1 ano de prisão, além do risco da perda do cargo e demis-são do serviço público federal.