Polícia
Policiais acusam ministro de mentir sobre sal�rios
GILVAN FERREIRA O segundo dia de greve da Polícia Federal em Alagoas foi marcado por críticas da categoria e do presidente do Sindicato dos Policiais Federais, Jorge Venerando, contra o ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, acusado de ?mentir? sobre a tabela apresentada à imprensa com os valores dos salários dos policiais federais. Jorge Venerando garantiu que não é verdade que os policiais federais estejam exigindo equiparação salarial com os delegados de carreira, o que significaria um reajuste de 84,5% nos salários dos agentes, escrivães e datiloscopistas. ?O ministro Márcio Thomaz Bastos está mentindo, o que nós queremos é que o governo cumpra o que determina a Lei 9266/89, que garante a equiparação salarial entre todas as categorias de nível superior do serviço público. Nós temos nível superior, mas recebemos como servidores de nível médio. Nossa reivindicação é que o governo implante a equiparação salarial e qualquer coisa diferente disso não passa de contra-informação do governo. Quero informar à população que o ministro mente quando afirma que nós estamos exigindo equiparação com o salário dos delegados?, disse Venerando. As declarações do ministro da Justiça serviram para acirrar os ânimos dos grevistas, que fizeram novamente o enterro simbólico dele. Thomaz Bastos passou a ser considerado o principal responsável pelo fracasso das negociações com o governo federal, que foram suspensas com a decretação da greve nacional. Essas negociações, segundo os dirigentes do Sindicato dos Policiais Federais, vinham ocorrendo há mais de três meses. Os grevistas federais também protestaram contra a posição ?antidemocrática? do diretor-geral da Polícia Federal, Paulo Lacerda, que determinou a suspensão do ponto dos policiais que aderiram à greve, que, em Alagoas, atinge 100% do efetivo de agentes, escrivães e datiloscopistas; a proibição de utilização das armas, que terão que ser entregues às superintendências, e o recolhimento dos jalecos e insígnias da Polícia Federal. No final da manhã, os grevistas queimaram a portaria assinada pelo diretor-geral Paulo Lacerda e prometeram reagir às ameaças do governo federal, que já sinaliza com a possibilidade de transferir para o Exército, Polícia Civil e Militar algumas atividades de competência da Polícia Federal. ?Essa portaria do diretor Paulo Lacerda é inconstitucional, ele não pode descumprir a lei e deveria saber que não vamos recuar com suas ameaças. Também vale lembrar que o serviço da Polícia Federal não pode ser realizado pelo Exército, policiais civis e militares?, esclareceu Venerando. A greve dos policiais federais paralisou o andamento de 600 processos, suspendeu a fiscalização no porto e no Aeroporto Zumbi dos Palmares; trouxe atraso na emissão de passaportes, investigação de estrangeiros, combate ao tráfico de drogas e armas. O ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, afirmou no início da noite de ontem que abriu negociações com a Polícia Federal para pôr fim à greve que paralisa investigações e causa transtornos em portos, aeroportos e pontos de fronteira. Thomaz disse que os dois lados terão que ceder um pouco e lembrou que paralisações deste tipo são normais em países democráticos. ?Esperamos que esta greve continue pacífica e que cheguemos a um bom termo o mais rápido possível?.