Polícia
Pol�cia avan�a na investiga��o do caso Coruripe
GILVAN FERREIRA O delegado de Coruripe, Marcílio Barrenco, 31, que preside o inquérito policial que apura os assassinatos do vendedor de jóias José Cerqueira e de seu motorista, Magelo da Silva, ocorrido em Coruripe em agosto do ano passado, revelou que está próximo de conseguir a principal prova para elucidar o crime. Os principais suspeitos são um assessor e um segurança do deputado estadual João Beltrão: o policial civil e vereador Jesse James Viana, o Neno, e o policial militar Nailton Ferreira, o Droco. O delegado Barrenco diz ter informações de que o Fiat Palio cinza, placa MUN 4212, de Arapiraca, que pertencia a José Cerqueira, foi conduzido para Maceió pelos criminosos depois que as duas vítimas foram executadas. O veículo teria passado por uma ?pequena reforma?: recebeu uma cor mais escura (possivelmente azul), além de uma nova documentação e, talvez, uma placa fria. A descoberta do roteiro do veículo passa a ser a principal prova do inquérito policial que apura as mortes de Cerqueira e Magelo. O delegado deixou claro que, encontrando o veículo ? e ele diz já saber o possível local onde pode ser encontrado ? o crime fica bem próximo de ser esclarecido. ?Nós estamos seguindo uma pista muito forte. Temos informações de que o Palio de José Cerqueira foi trazido para Maceió pelas pessoas envolvidas no crime. O veículo sofreu uma pequena reforma e foi repassado para outra pessoa, possivelmente com documentação falsa. Eu não posso adiantar muitos detalhes, mas estamos perto de chegar ao veículo, o que pode nos levar ao esclarecimento do crime. Se chegarmos ao veículo, vamos chegar à pessoa que o repassou e, possivelmente, participou do crime?, revelou Marcílio Barrenco. Depoimento de Beltrão O delegado Barrenco antecipou que define, dentro de duas semanas, a data do depoimento do deputado João Beltrão, que deve esclarecer pontos obscuros do inquérito sobre o duplo crime. O delegado evita falar sobre a possibilidade de indiciamento do deputado João Beltrão e de seus assessores. ?Até agora não indiciamos ninguém. Estamos na fase de busca de provas e inquirição de suspeitos e testemunhas?, diz. ?Sobre o depoimento do deputado João Beltrão, ainda vamos decidir; creio que essa posição sai até o final do mês. É bom deixar claro, que, até então, ele não é suspeito. O depoimento dele, ainda estamos decidindo, vai servir para tirarmos algumas dúvidas, mas isso não quer dizer que ele vai ser indiciado?, comentou Barrenco. Falando sobre o depoimento do assessor do deputado João Beltrão, Jesse James ? o Neno ?, o delegado Barrenco disse que ele negou envolvimento no crime e citou nomes de pessoas, que serão ouvidas no inquérito policial. Barrenco não afastou a possibilidade de Jesse James voltar a depor, antes do final das investigações. Barrenco manteve o mistério sobre as possíveis provas sobre o envolvimento do segurança do deputado João Beltrão, o policial militar ?Droco?, no duplo assassinato. ?Só posso dizer, que por enquanto, não temos elementos para provar a participação de Droco, e nem sabemos ainda se vamos ouvi-lo. Ele pode ser incluído na relação de policiais que serão ouvidos no inquérito policial?, despistou Barrenco. O delegado evitou falar sobre o conteúdo da inteceptação dos telefones de Jesse James. Essa parte do processo corre sob segredo de Justiça, e, segundo Barrenco, não se pode revelar o que aponta o relatório da quebra de sigilo telefônico. Carta anônima Marcílio Barrenco antecipou à GAZETA DE ALAGOAS o conteúdo de uma carta ? segundo ele, anônima ? que revela detalhes de como Cerqueira e Magelo da Silva foram assassinados, no dia 19 de agosto do ano passado, quando retornavam para Arapiraca. As ossadas de Cerqueira e Magelo foram encontradas, em novembro do ano passado, em um canavial próximo à Usina Guaxuma, em Coruripe. A carta, que foi postada em Maceió, com destino à Delegacia de Arapiraca, supostamente foi escrita por uma pessoa que teve contato com a testemunha que viu a execução do vendedor de jóias José Cerqueira. Na carta, que foi anexada ao inquérito policial, a suposta testemunha conta que o Palio de José Cerqueira foi inteceptado, por volta das 7h do dia 19 de agosto, por dois homens, em uma moto vermelha, na rodovia AL-101 Sul, próximo ao acesso à praia do Pontal do Coruripe. Em seu depoimento ao delegado Barrenco, na última sexta-feira, no Departamento de Polícia do Interior, o vereador Jesse James confirma que José Cerqueira saiu de sua casa por volta das 6h30. Pelos cálculos da polícia, da casa de Jesse James até o local do crime, apontado na carta, leva-se cerca de 15 a 20 minutos. A testemunha continua seu relato e diz que, logo depois da inteceptação do Palio, o homem que estava na garupa da moto desceu e atirou na cabeça do vendedor de jóias José Cerqueira. O motorista Magelo foi rendido pelo outro homem e teve que ajudar a colocar a moto na mala do Palio. Um dos pistoleiros assumiu o volante e o carro deixou o local em alta velocidade, rumo a Maceió. O delegado Barrenco não afasta a versão da carta, mas disse que não conseguiu confirmar algumas informações, como a que cita o nome e o endereço da testemunha que revelou detalhes do crime para o autor da carta. Essa testemunha não foi encontrada no local indicado.