Polícia
V�tima tinha liga��o com o tr�fico de ouro
Quatro meses depois da emboscada fatal no Francês, a morte de Di Salvo permanece um mistério. O delegado José de Oliveira Barbosa, que presidiu o inquérito, não chegou aos criminosos. No entanto, descobriu que a vítima tinha problemas com a polícia no exterior, pois teria se envolvido com tráfico de ouro na Europa. Em Marechal Deodoro, Di Salvo havia se desentendido com um empresário português do ramo de pousadas, provavelmente, segundo a polícia, por ter priorizado outros locais na hora de hospedar seus clientes. O empresário português chegou a ser apontado como suspeito do crime, mas as investigações não evoluíram nessa direção. Um ex-proprietário de uma boate, que pediu para não ser identificado, denunciou a existência de concorrência desleal e encerrou suas atividades em Maceió. Ele alegou que os italianos investiram cerca de R$ 1 milhão em duas boates, uma em Maceió e outra no Recife. Segundo ele, os italianos ?jogam sujo? e usariam ?testas-de-ferro? em seus negócios ? brasileiros que assumem o papel de proprietários no lugar dos estrangeiros, para não levantar suspeitas. ?O grupo alicia mulheres de vários pontos do País e coloca nesses estabelecimentos, localizados normalmente na orla ou próximos da praia. Com eles fica a maior fatia do faturamento, porque contam com o apoio de gente graúda?, afirmou o empresário, que largou o ramo com medo dos métodos adotados pelos concorrentes. Outra morte O recente assassinato de outro italiano (Antonio Luceri, 65, reforçou as suspeitas da polícia, que vê evidências de ligação entre as duas mortes. A delegada Maria Aparecida de Araújo, que apura o fato, afirma ter indícios que só robustecem a suspeita inicial de que ?uma espécie de máfia pode ter praticado os dois homicídios?. Luceri estava em Maceió havia seis anos. Era um aposentado que vivia de rendimentos na Itália. Em Alagoas, praticamente não tinha nenhuma atividade conhecida. Em depoimento à delegada Aparecida, na última quinta-feira, sua companheira, a viúva Ana Lúcia Vieira, garantiu que ele não tinha inimigos declarados, a não ser outro italiano, identificado como Fernando Marsella, cuja profissão é ?mecânico naval?, mas que nunca trabalhou no Brasil. Mesmo assim, segundo a polícia apurou, Marsella tem uma vida folgada em termos financeiros e mantém contatos com outros europeus, principalmente italianos, que viajam anualmente pelo Nordeste.