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Polícia

Lessa garante investiga��o do caso Coruripe

GILVAN FERREIRA “Eu não vou aceitar que esses bandidos, esses pseudo-valentes, que na verdade não passam de covardes, implantem um clima de terror em Coruripe. O delegado Marcílio Barenco vai ter todo o meu apoio para continuar o seu trabalho. Já

Por | Edição do dia 27/03/2004 - Matéria atualizada em 27/03/2004 às 00h00

GILVAN FERREIRA “Eu não vou aceitar que esses bandidos, esses pseudo-valentes, que na verdade não passam de covardes, implantem um clima de terror em Coruripe. O delegado Marcílio Barenco vai ter todo o meu apoio para continuar o seu trabalho. Já determinei ao secretário de Defesa Social, Robervaldo Davino, que ofereça todas as condições para garantir a vida do delegado”. As declarações do governador Ronaldo Lessa, ontem pela manhã, no Palácio dos Martírios, durante a posse do novo secretário de Articulação Política, Petrúcio Bandeira, deram o tom do clima de revolta instalado no Governo do Estado depois que a GAZETA DE ALAGOAS publicou, com exclusividade, a descoberta de um plano para assassinar os delegados Marcílio Barenco e Mário Jorge Marinho, Diretor do Departamento de Polícia do Interior (Depin), responsáveis pelas investigações das mortes do vendedor de jóias José Cerqueira e de seu motorista Magelo da Silva, que aconteceram em agosto do ano passado, em Coruripe. Apelo ao TJ Ronaldo Lessa também cobrou do Tribunal de Justiça de Alagoas uma posição para “ajudar” a colocar “um bocado e gente” na cadeia. Lessa lembrou que o secretário de Defesa Social, Robervaldo Davino, encaminhou um recurso ao Tribunal de Justiça de Alagoas solicitando a reconsideração da decisão do juiz de Coruripe, Carlos Henrique Pitta Duarte, que negou a prisão preventiva do assessor do deputado estadual João Beltrão (PMDB), Jesse James Viana, o “Neno”. O secretário Robervaldo  Davino explicou que o recurso com o pedido já foi formalizado há duas semanas ao  Tribunal de Justiça. “Precisamos avançar nas investigações que envolvem esse policial e vereador como suspeito no crime do vendedor de jóias”, disse Davino. “Daí a preocupação do governador Ronaldo Lessa de contar com o apoio do Judiciário, a fim de que as operações policiais ganhem mais celeridade e tenham cobertura da lei”, explicou o secretário. Barenco e “Neno” ficam frente a frente GILVAN FERREIRA No primeiro dia após ter denunciado um plano para assassiná-lo, o delegado de Coruripe, Marcílio Barrenco, esteve frente a frente com o assessor do deputado estadual João Beltrão (PMDB), Jesse James Viana, o “Neno”, acusado de tramar a sua morte. Barenco foi convocado  para prestar depoimento ontem no inquérito administrativo instaurado para apurar a denúncia de abandono de emprego do policial civil Jesse James,  que foi aberto pela chefe da 2a  Corregedoria de Polícia, Maria  do Socorro Almeida. O encontro de Barenco e Jesse James aconteceu, no início da tarde, na sede da Corregedoria de Polícia Civil, no Poço. Segundo policiais que acompanharam os depoimentos, o encontro foi marcado pela tensão e frieza de Jesse James, que chegou a cumprimentar o delegado. Durante mais de 3 horas, Barenco e Jesse James ficaram frente a frente em uma sala da Corregedoria. Por medida de segurança, ambos entraram na sede da Corregedoria desarmados, mas vigiados por seguranças, que acompanharam, em uma ante-sala, o inesperado encontro. Ao deixar o prédio da Corregedoria de Polícia Civil, Marcílio Barenco contou como se sentiu ao encontrar o homem que ameaça matá-lo e o teor das suas declarações à corregedora Maria do Socorro Almeida. “Ele tentou me cumprimentar, mas não aceitei esse gesto de falsidade. Não sou amigo dele e não quero nenhuma relação com essa pessoa. À corregedora, falei a verdade: disse que o policial civil Jesse James não comparece à Delegacia de Coruripe, onde está lotado, há 82 dias. Eu também vou denunciá-lo à Corregedoria por ameaças e ato obsceno”, disse Barenco. Adepol ao lado de delegados Irritado com as ameaças aos delegados Marcílio Barenco e Mário Jorge Marinho, o governador Ronaldo Lessa disse que iria sugerir ao delegado Barenco que traga de volta sua família do Rio de Janeiro. Barenco disse que decidiu mandar a esposa e a filha para o Rio depois de ter sido informado pela Secretaria de Defesa Social da descoberta de um plano para assassiná-lo. “Primeiro, parabenizo-o pela decisão de permanecer à frente do caso. Ele conta com todo nosso apoio, e o secretário Robervaldo Davino possui carta branca para adotar todas as providências. Não haverá omissão oficial”, garantiu Lessa. Lessa disse que quer o aparato de segurança pública agindo com firmeza, e afirmou que não vai aceitar que haja “proteção à bandidagem em Alagoas”. “Vamos mostrar à sociedade que Alagoas é outra, que não há manto protetor dando guarida à delinqüência”, disse. Plano de mortes A descoberta do plano de morte contra os delegados Marcílio Barenco e Mário Jorge Marinho – que também inclui dois jornalistas da GAZETA DE ALAGOAS – foi obtida com interceptações telefônicas, autorizadas pela Justiça. Nas gravações, Jesse James diz que os delegados Marcílio Barenco e Mário Jorge Marinho estariam “com os dias contados”, por investigarem as mortes do vendedor de jóias José Cerqueira e do motorista Magelo da Silva. As ameaças também atingem dois jornalistas da GAZETA, que trabalham na cobertura de crimes em Coruripe em que Jesse James e outras pessoas ligadas a João Beltrão são acusados de envolvimento. O presidente da Associação dos Delegados de Polícia de Alagoas (Adepol), delegado Carlos Alberto Reis, disse que a Associação está dando todo apoio aos dois delegados ameaçados. Ele chegou a mandar um recado ao grupo que ameaça assassinar os dois delegados. “A diretoria da Adepol está solidária com os delegados. Eles que não ousem atentar contra a vida dos delegados Marcílio Barenco e Mário Jorge Marinho”, avisou Carlos Alberto Reis. Comissão de Direitos Humanos dá solidariedade O presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa, deputado Paulo Fernando dos Santos, o Paulão (PT), esteve ontem na Secretaria de Defesa Social e se reuniu com um dos delegados ameaçados de morte, o diretor do Departamento de Polícia do Interior (Depin), Mário Jorge Marinho. “Estou aqui para trazer a solidariedade política do Poder Legislativo e para dizer que a polícia tem de cumprir o seu papel sem sofrer interferência de ninguém”. Paulão considerou “absurdas” as ameaças feitas pelo policial civil Jesse James contra o delegado Marcílio Barenco, que comanda as investigações sobre a morte do vendedor de jóias José Cerqueira e do seu motorista Magelo da Silva. Aproveitou e cobrou uma ação enérgica contra o policial Jesse James, que não comparece ao trabalho há 82 dias, segundo o parlamentar. O diretor do Depin revelou que o caso Jesse James já foi enviado para a Corregedoria de Polícia. “Vamos pedir novamente a sua prisão preventiva, agora por ameaçar delegados de polícia e jornalistas”. O deputado do PT disse que fatos como esse (a ameaça de morte) chocam a sociedade e revelam uma situação da qual o Estado não pode descuidar. “Quando abri a GAZETA e li a reportagem sobre o caso também tomei um susto; essas coisas tem de acabar em Alagoas”, afirmou Paulão. Além de Paulão, outras entidades de Direitos Humanos estiveram ontem na Secretaria de Defesa Social levando solidariedade aos delegados ameaçados. (AF)

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