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Polícia

Jesse James � indiciado no caso Coruripe

O delegado de Coruripe, Marcílio Barenco, antecipou à GAZETA a decisão de indiciar o policial civil Jesse James Viana, o Neno, assessor do deputado João Beltrão, como suspeito de mandante das mortes do vendedor de jóias José Cerqueira e do motorista Maje

Por | Edição do dia 23/04/2004 - Matéria atualizada em 23/04/2004 às 00h00

O delegado de Coruripe, Marcílio Barenco, antecipou à GAZETA a decisão de indiciar o policial civil Jesse James Viana, o Neno, assessor do deputado João Beltrão, como suspeito de mandante das mortes do vendedor de jóias José Cerqueira e do motorista Majelo da Silva. Jesse James vai ser indiciado nos artigos 157 (latrocínio) e (ocultação de cadáver), do Código Penal Brasileiro. Se condenado, Jesse James pode ser sentenciado a uma pena de 22 a 66 anos de prisão, mas cumpriria 30 anos, a pena máxima no Brasil. Ontem, o delegado Barenco tentou ouvir Jesse James, que cumpre prisão temporária no Tigre, mas o suspeito se negou a falar sobre as acusações e alegou que só falaria na Justiça. Apesar de não querer antecipar o relatório final do inquérito policial – que vai ser entregue na próxima segunda-feira ao juiz da comarca de Coruripe, Carlos Henrique Pitta Duarte – o delegado Barenco admitiu que deve indiciar mais duas ou três pessoas no inquérito, que serão ouvidas até amanhã. Barenco não deve indiciar o deputado João Beltrão, uma das últimas pessoas que tiveram contato com José Cerqueira e Majelo da Silva antes dos dois desaparecerem em Coruripe, no dia 19 de agosto de 2003. Os corpos de Cerqueira e Majelo foram encontrados, no dia 21 de novembro, em um canavial da Usina Guaxuma, em Coruripe. Os exames de DNA, realizados no laboratório de Genética Forense da Ufal, confirmaram que as duas ossadas eram de Cerqueira e Majelo. As investigações confirmaram que na manhã do dia 19 de agosto de 2003, Cerqueira e Majelo foram vistos pela última vez na residência de Jesse James, no Pontal do Coruripe. Os dois deixaram o local depois de uma discussão com James, em um Fiat Palio cinza, ano 2000, de propriedade de Cerqueira, conduzido por Majelo. O veículo foi interceptado, cerca de 30 minutos depois, por dois homens em uma motocicleta, na rodovia AL-101 Sul. Um dos homens desceu da moto e atirou na cabeça de Cerqueira. O outro homem rendeu Majelo e o forçou a colocar o corpo de Cerqueira no porta-malas do Palio. A polícia levantou indícios de que, em seguida, os assassinos foram à casa de Jesse James, no Pontal do Coruripe, de onde saíram para enterrar os corpos em um canavial da Usina Guaxuma. Os corpos teriam sido enterrados por um empregado de Jesse James conhecido como Zé Bilu, que foi assassinado um mês depois que a polícia encontrou os corpos. A polícia suspeita que Zé Bilu foi morto como queima de arquivo. O deputado João Beltrão admite que comprou R$ 1 mil em jóias de Cerqueira, mas teria feito um acerto para posterior pagamento. Os policiais que acompanharam as investigações disseram que não foram encontradas provas da participação do deputado nos crimes. A policia apurou que na véspera do crime, 18 de agosto, à noite, Cerqueira e Majelo tiveram um encontro com o deputado João Beltrão. As vítimas foram levadas à casa de Beltrão, no Pontal do Coruripe, por José Santos Cunha, o “Baiano”. Beltrão recebeu Cerqueira e Majelo acompanhado de Jesse James, dois seguranças e um homem conhecido como “Nezão“.

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