Polícia
Seq�estros financiaram campanhas pol�ticas
ODILON RIOS A polícia alagoana investiga se o dinheiro arrecadado em seqüestros pela quadrilha presa em Alagoas financiou ou não campanhas políticas no Estado. Pelo menos uma certeza existe: parte do que foi arrecadado financiou a campanha do ex-governador do Rio de Janeiro, Moreira Franco (PMDB). A informação foi confirmada pelo presidente do inquérito que investiga a atuação do grupo, Dalmo Lopes. ?Há possibilidade de políticos alagoanos terem sido financiados por dinheiro de seqüestros?, reflete Lopes. A quadrilha foi desbaratada depois de ter seqüestrado a estudante Mariane França, filha do comerciante de veículos José Costa França (?Zé Pivete?). Ela foi libertada na tarde de segunda-feira, depois de passar oito dias em cativeiro, numa casa no Inocoop, bairro do Tabuleiro. Ainda de acordo com o presidente do inquérito, os políticos que teriam recebido dinheiro lavado de seqüestros são do Rio de Janeiro. Porém, Pernambuco e Alagoas estão na rota de investigações. ?No depoimento, os seqüestradores falam que pagaram a outras pessoas que trabalharam com eles; sobram ainda R$ 410 mil?, diz Lopes. O trabalho da polícia é descobrir onde está o restante do dinheiro. Quebra de sigilo A expectativa é de que, nos próximos dias, quando serão quebrados os sigilos telefônico e bancário, surjam nomes de novos suspeitos no crime de seqüestro ou até mesmo de políticos de outros estados. ?Durante o depoimento, eles ironizaram quando se perguntava da participação de políticos alagoanos em seqüestros?, explica Dalmo Lopes. Uma hipótese reforça a ligação entre políticos e seqüestradores: os envolvidos respondem a vários crimes e estariam sendo acobertados por autoridades, para evitar o aprofundamento das investigações. Para a realização dos trabalhos, as polícias de Pernambuco, Alagoas e Sergipe começam a manter contato entre si para buscar uma relação entre crimes ocorridos naqueles estados e a quadrilha que atuava em seqüestros nestes mesmos lugares. Para isso, ontem veio a Alagoas a cúpula da área de segurança pública de Pernambuco, não só para trocar informações, mas para acompanhar depoimentos, como o do cabo da Polícia Militar Cícero Roque, que está detido no quartel, no Trapiche. Foram presos, até agora, pelo seqüestro da estudante, além do cabo PM José Cícero Gomes da Silva, Edilton Jacinto da Silva e o líder da quadrilha, Luiz Carlos Barros Alves, o ?Carioca?.