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Bicheiro se entrega e fica preso no Baldomero

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GILVAN FERREIRA O bicheiro Plínio Batista, acusado de envolvimento com a quadrilha envolvida nas mortes de policiais e em outros crimes de pistolagem, se apresentou, ontem, ao juiz da 1ª Vara Criminal, Daniel Acioly. Plínio Batista vinha impondo condições para sua apresentação. Ele teria sugerido que somente se apresentaria caso pudesse cumprir a prisão preventiva no Grupamento Tigre, no Farol, e não no presídio Cyridião Durval, como determinou o juiz Daniel Accyoli. Prisão especial O advogado de Plínio Batista, Francisco Sales, alegou que o bicheiro, por ter participado como jurado do Tribunal do Júri, em Murici, teria direito a prisão especial, segundo o Código de Processo Penal. Sales apresentou uma relação, onde Plínio Batista aparecia como um dos 21 jurados. O juiz Accyoli acatou o pedido do advogado e determinou a transferência do bicheiro para uma cela especial no presídio Baldomero Cavalcanti. O juiz pediu informações à Comarca de Murici para confirmar a participação de Plínio Batista no Tribunal do Júri. Caso fique comprovado que o bicheiro não participou como jurado, ele perderá o direito à prisão especial. Negativa de autoria Ao ser interrogado pelo juiz Daniel Accioly, Plínio Batista disse que conhecia alguns dos acusados, mas negou envolvimento com as ações da quadrilha acusada de iniciar uma ?guerra? na Polícia Civil e comandar crimes de pistolagem. O bicheiro também é acusado de utilizar sua ?influência? no governo do Estado e no Judiciário para negociar benefícios aos integrantes do grupo criminoso, que é acusado de participação em mais de 40 homicídios em Alagoas. Plínio Batista também é investigado pela Polícia Federal. Ele é suspeito de envolvimento em lavagem de dinheiro e contrabando, além de ser suspeito de mandante das mortes de um casal de bicheiros e de um policial federal. O juiz Daniel Accioly também ouviu os depoimentos dos policiais civis José Alfredo Pontes, o ?Alfredinho?, e Robson Rui Gomes de Araújo, acusados de liderar o grupo criminoso. Resposta da Almagis A diretoria da Associação Alagoana de Magistrados (Almagis) decidiu interpelar judicialmente o promotor de Justiça Márcio Roberto Tenório, que denunciou o envolvimento de integrantes do Judiciário com o crime organizado em Alagoas. Essas pessoas ? cujos nomes não foram revelados pelo promotor Márcio Roberto ? atuariam para beneficiar integrantes da quadrilha liderada pelo bicheiro Plínio Batista, a advogada Cláudia Pontes, policiais civis e empresários. A decisão da Almagis foi divulgada em nota oficial. Segundo o presidente da Almagis, juiz Fernando Tourinho Filho, o promotor Márcio Roberto deve apresentar os nomes dos magistrados, que, supostamente, estariam envolvidos com a quadrilha. ?É preciso que o promotor Márcio Roberto, primeiramente, informe-nos os nomes dos supostos envolvidos e apresente as provas que o municiaram em suas declarações, sob pena de serem consideradas infundadas?, cobrou Tourinho Filho. O presidente da Almagis garantiu que, se comprovado o envolvimento de juízes com a quadrilha, vai cobrar a punição dos envolvidos. Ele afirmou que não haverá proteção a juízes que tiverem ligação com o grupo criminoso. Mas Tourinho Filho garante o princípio da ampla defesa dos acusados. ?Caso fique evidenciado o envolvimento de qualquer magistrado, seremos os primeiros a exigir a aplicação da lei, com a efetiva punição dos envolvidos?, disse.

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