Polícia
Armas, cacha�a e drogas no Cirydi�o Durval
ODILON RIOS Mais armas, cachaça e maconha foram encontradas em batida policial realizada, ontem, nos nove módulos do presídio Cirydião Durval. A ação foi comandada pelo Batalhão de Operações Especiais da Polícia Militar (Bope). Ao todo, a polícia conseguiu apreender 10 litros de cachaça, meio litro de tiner, três barras de maconha prensada (cerca de 200 gramas), espetos de maconha e armas artesanais (30 espetos e estiletes). A cachaça e as drogas estavam nos módulos II e I, respectivamente. ?A cachaça não entra nas revistas. Houve facilitação?, explica o major PM Do Vale, que comandou a operação, ao se referir à inspeção feita aos visitantes masculinos. As mulheres não podem ser revistadas, por determinação do Conselho Estadual de Segurança, que se baseou em um caso ocorrido ano passado, quando um grupo de mulheres foi obrigado a se despir e ficar agachado antes de entrar no Baldomero Cavalcanti. Ao todo, o Bope disponibilizou 75 homens para a operação. Espeto no varal Os homens do Bope chegaram às 8h30 ao presídio Cirydião Durval, armados e na companhia de cães farejadores, treinados para detectar a presença de drogas nas celas ou nas roupas dos presidiários. ?Um dos espetos de maconha estava na roupa de um dos detentos, dependurada no varal?, conta o comandante da operação. A batida durou cerca de três horas. Ao final, a polícia fez uma avaliação dos resultados e conversou com a direção do presídio e o Departamento de Sistema Penitenciário (Desipe) sobre a facilitação da entrada de drogas e cachaça no Cirydião. Para o diretor do Desipe, coronel Agamenon Oliveira, a batida no presídio é normal e acontece de ?surpresa? para averiguar a existência de drogas ou ainda buscar possíveis focos de fuga, como os túneis. Desta vez, eles não foram achados. Ainda ontem pela manhã, a segurança dos presídios alagoanos foi reforçada. Ao todo, foram 77 agentes penitenciários, distribuídos da seguinte forma: 27 no Cirydião Durval, 35 no Baldomero Cavalcanti e 15 no São Leonardo. ?Isso é para compensar a falta de muros no Cirydião?, justificou Agamenon, ao apontar para as cercas, que têm profundidade de 40 centímetros e fazem a segurança do presídio. ?O Serveal já estuda aumentar essa profundidade para dois metros e meio?, adiantou. Ao fazer a revista no Módulo 5 do Baldomero, o Bope havia encontrado três novos túneis, ainda sendo escavados. Neste mesmo módulo, aconteceu a fuga dos 42 presos, em abril, na maior fuga do sistema prisional alagoano. Assembléia Na Assembléia Legislativa, a Comissão de Direitos Humanos ouviu o secretário de Ressocialização Walter Gama. Ele afirmou que a segurança do presídio foi reforçada, com a suspensão da folga dos militares que trabalham nas guaritas de monitoração. Diante dos parlamentares, o secretário, que também tem formação em Psicologia, sugeriu que a comissão reavalie sua posição sobre a revista íntima. ?A indisciplina no sistema deve-se à entrada de drogas, levadas, principalmente, por mulheres e familiares de presos?, afirmou.