Polícia
Promotor exige reabertura do caso Jos� Joaquim
ODILON RIOS O promotor da 3ª Vara do Tribunal do Júri, Marcus Aurélio Gomes Mousinho, deu um prazo final ao Estado sobre o caso do eletricista José Joaquim, assassinado em 1999 em Maceió: se a Secretaria de Defesa Social não designar, até hoje, um delegado especial para investigar o homicídio de Joaquim, na segunda-feira, promete o promotor, vai requerer abertura de sindicância contra o diretor-geral da Polícia Civil, Roberto Lisboa, e o secretário de Defesa Social, Robervaldo Davino. ?Se até amanhã (sexta-feira) não for designado o delegado, vou determinar a abertura de sindicância na corregedoria para apurar a postura de Roberto Lisboa e Robervaldo Davino?, adiantou. José Joaquim foi preso e torturado no dia 1º de julho de 1999 nas delegacias do 1º e do 3º Distritos Policiais, que ficam na Levada e na Ponta Grossa, respectivamente. Libertado depois de provar que nada tinha com o crime de que era acusado, denunciou as torturas que sofrera nas mãos de policiais e apontou nomes. Na mesma noite, foi executado a tiros quando dormia em sua casa, no Vergel. A tese do 1º DP é de queima de arquivo. Até hoje, o caso é um dos mais rumorosos da segurança pública alagoana, principalmente pela falta de um delegado especial para a investigação do homicídio. ?Esse inquérito é um absurdo?, afirmou ontem o promotor Mousinho. ?Desde novembro de 2003 espero um delegado ser nomeado pelo secretário Davino e até hoje ele não nomeou ninguém para apurar o homicídio?. Ele conta que já ligou para o secretário ?pelo menos dez vezes?; já para o diretor da Polícia Civil, cerca de seis. ?Já mandei ofício e fax e até agora, nada?. ?O secretário me disse que não era atribuição dele nomear [o delegado especial], e me indicou o doutor Lisboa?, disse o promotor. A GAZETA entrou em contato com o diretor-geral da Polícia Civil, Roberto Lisboa. Segundo ele, o problema pertence ao próprio promotor Marcus Mousinho. ?O problema é que ele tem de me mandar o processo para fazer a distribuição. Aqui, ele será encaminhado para se designar, através de sorteio, o delegado especial do caso. Até hoje ele não enviou o processo?, argumenta. ?Tudo tem defesa. Se ele quiser requerer abertura de sindicância contra mim, que abra?, desafiou. A versão do promotor é diferente. ?Não combinamos isso. No ofício de novembro, eu disse ao delegado que fosse direto à 3ª Vara pegar o processo?, relatou Mousinho. ?Em momento algum ele me falou que estava esperando o processo?. Já o secretário de Defesa Social adiantou que a função de nomear delegado especial pertence ao diretor Roberto Lisboa.