Polícia
Oito homossexuais mortos este ano em AL
EDNELSON FEITOSA O assassinato de mais um homossexual ? o oitavo ocorrido em Alagoas em menos de seis meses ? gerou protestos e pedido de apoio da Associação Brasileira de Gays, Lésbicas e Transgêneros (ABGLT) à Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/AL), na manhã de ontem. Marcos André dos Santos, 22, conhecido como ?Amanda? ou ?Marquisa?, foi assassinado a tiros, na semana passada, num trecho da Ladeira do Catolé, próximo ao distrito de Rio Novo. O presidente da ABGLT, o alagoano Marcelo Nascimento, que também é presidente do Grupo Gay de Alagoas (GGA), destacou o aumento da violência contra homossexuais no Estado. ?No ano passado foram seis homicídios. Este ano, em seis meses, já aconteceram oito mortes?, revelou ele, que esteve reunido ontem com o presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB/AL, Narciso Fernandes Barbosa. A mãe de Marcos, Maria Helena dos Santos, e o presidente do Grupo Gay do Tabuleiro (GGT), Ronaldo Pires da Silva, participaram do encontro. A vítima era vice-presidente do GGT. Maria Helena acusa a polícia de descaso, revelando não ter recebido nenhuma ajuda dos policiais do 10º Distrito. ?Os policiais mandaram que eu descobrisse quem matou meu filho e localizasse as testemunhas, inclusive com endereço?, afirmou ela. Ela acha que o desinteresse de investigar é porque seu filho era homossexual. Até hoje, o inquérito não foi aberto. A Polícia Civil alega que não começou a apurar o crime por causa da greve da categoria. Delegado especial O presidente da ABGLT, Marcelo Nascimento, defende que os crimes contra homossexuais sejam apurados por um delegado especial. Segundo ele, é importante que seja um profissional que pesquise e esteja atualizado quanto a questões relacionadas à violência contra pessoas homossexuais. O presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB/AL, Narciso Fernandes Barbosa, ouviu as declarações de Maria Helena e prometeu não apenas encaminhar ofício à Polícia Civil: ?Estou solicitando uma audiência com o secretário de Defesa Social, Robervaldo Davino, para tratar diretamente com ele. Sabemos da greve, mas o homicídio precisa ser apurado?, completou.