Polícia
Oficial PM � suspeito de seq�estro e extors�o
EDNELSON FEITOSA Um oficial de alto escalão da Polícia Militar (PM) está sendo investigado como suspeito de participar da extorsão mediante seqüestro contra os pernambucanos Flávio Freire de Sales e Sávio Gomes Torres. O militar teria ajudado a pressionar as vítimas a devolverem R$ 110 mil que haviam recebido do vice-presidente da Câmara Municipal de Maceió, vereador Jaudeni Coutinho (PSB), pela venda de um trator roubado. O envolvimento do oficial PM no caso ? citado no flagrante policial ? foi revelado ontem pelo delegado Cícero Lima, que preside a comissão designada para esclarecer o crime. Ele preferiu não revelar o nome e a patente do militar sob suspeita. Alegou que primeiro precisa do reconhecimento pessoal do militar acusado, por parte das vítimas. Eles devem ser colocados frente a frente esta semana. O delegado Lima determinou que os dois pernambucanos retornem a Maceió, nesta quarta-feira, para o reconhecimento da pessoa que se apresentou a eles, quando estavam no cativeiro, como oficial da Polícia Militar, exigindo que as vítimas arranjassem o dinheiro. O encontro entre Flávio e Sávio e o militar teria acontecido no prédio da Fundação Jaudeni Coutinho, no Prado, local do cativeiro e de onde os dois foram resgatados pela Polícia Civil. O delegado Cícero Lima afirmou, também, que o interrogatório do delegado Moisés Marcelo do Nascimento ? também envolvido no caso ? pode ser adiado, mais uma vez, e terminar não acontecendo na manhã de hoje, como havia anunciado na última sexta-feira. Fatos relacionados ao caso, descobertos no fim de semana, podem levar a comissão a decidir pelo adiamento do interrogatório. O delegado Moisés Marcelo é o único dos suspeitos do crime que ainda não foi ouvido pela polícia. No momento do resgate dos pernambucanos, o vereador Jaudeni Coutinho e o policial Nivaldo Acioli foram presos em flagrante. Na semana passada, o policial José Cícero Cassiano também foi interrogado. Pelo que a polícia apurou, Jaudeni Coutinho comprou um trator roubado e, para não ficar no prejuízo, procurou os policiais para reaver seu dinheiro sem a necessidade de abertura de inquérito. Flávio e Sávio foram presos ilegalmente (sem mandado judicial) pelos policiais e permaneceram seis dias em poder do vereador. A família das vítimas gravou telefonemas em que uma pessoa que se identifica como Jaudeni exige o dinheiro parasoltar os reféns. Com a ajuda do Ministério Público, os parentes conseguiram que eles fossem resgatados.