Polícia
Radialista � assassinado a tiros em Santana
O radialista Jorge Lourenço dos Santos, 59, foi assassinado com dois tiros de revólver calibre 38, na varanda de sua residência, localizada no bairro Monumento, no centro da cidade de Santana do Ipanema, distante 204 quilômetros de Maceió. Um homem, que a polícia acredita se tratar de um matador profissional, praticou o homicídio e fugiu num veículo Gol, onde estavam mais duas pessoas. A família denuncia que o crime foi praticado por encomenda de políticos do município sertanejo. É o segundo radialista assassinado em Alagoas nos últimos 30 dias. José Cícero Gama Guimarães foi morto a tiros de espingarda 12 na porta de sua casa, na Chã do Pilar, no último dia 23 de junho. Ele trabalhava na Rádio Pilar FM e era cabo eleitoral de políticos locais. Ações de políticos Jorge Lourenço era dono da rádio comunitária Criativa FM, onde apresentava um programa comentando as ações dos políticos locais. Costumava fazer críticas, inclusive à administração do prefeito Marcos Davi, hoje seu aliado. Era considerado um candidato nato à Câmara Municipal, principalmente porque tinha um trabalho assistencialista: fazia doações de cestas básicas em comunidades carentes. No entanto, abdicou da candidatura em favor da esposa, Genilda Freitas dos Santos, com quem tinha quatro filhos, dois deles menores de idade. Inimizades O sobrinho da vítima, Vinícius Araújo Silva, 42, que é militar e trabalha em Maceió, informou que o tio era uma pessoa querida pela população pobre, um dos radialistas mais ouvidos de Santana do Ipanema, onde atuava havia quase 20 anos. Também desagradou pessoas pela forma incisiva como conduzia o programa na Rádio Criativa, emissora que funcionava em sua residência. O filho de Jorge Lourenço, Flávio dos Santos, 28, declarou, ontem, no Instituto Médico Legal (IML) de Maceió, não ter a quem atribuir o crime, pois o pai não comentava com ele as ameaças que vinha recebendo. ?Não sei ainda de quem partiu. Mas garanto que foi um crime político?, disse. Vários políticos faziam pressão contra o radialista. Recentemente, Lourenço foi convocado para uma audiência pelo juiz Galdino José, que não foi localizado ontem na cidade para informar o teor da conversa. A polícia local confirmou ter conhecimento de que o radialista estava ameaçado de morte e havia sofrido, pelo menos, duas tentativas de homicídio. Revelou, inclusive, que ele já foi alvo de três atentados. O corpo do radialista foi velado na Câmara de Vereadores de Santana do Ipanema. Houve protestos contra o clima de violência. O sepultamento ocorreu em Major Isidoro. O assassinato será investigado pelo delegado regional de Santana do Ipanema, Valter Nascimento Rocha.