Polícia
Fam�lia de aluno-bombeiro morto exige puni��o
FÁBIA ASSUMPÇÃO Familiares e amigos de Emerson Luiz Cerqueira, morto há dois anos durante um treinamento do curso de formação para soldados do Corpo de Bombeiros, fizeram ontem de manhã uma manifestação em frente ao quartel geral da corporação, no Trapiche da Barra. Com faixas e cartazes, eles lembraram a morte do estudante, ocorrida no dia 14 de julho de 2002. Emerson participava de uma instrução de treinamento na Lagoa Mundaú e, de acordo com os laudos do Instituto Médico Legal, teria morrido por afogamento. A família responsabiliza o tenente CB Wellington e os sargentos Alexandre e Nelson, instrutores do curso, pela morte do rapaz. Os militares devem ser julgados pelo Tribunal Militar até outubro. No inquérito concluído pelo Corpo de Bombeiros, 30 dias após a ocorrência do fato, eles foram citados como responsáveis pela morte do rapaz, mas sem intenção (homicídio culposo). Eles foram afastados das funções de instrutores do curso e aguardam julgamento pela Justiça Militar. Os dois sargentos voltaram a prestar serviço no Pelotão Aquático e o tenente Wellington permanece no quartel. Defesa ?De nossa parte, cumprimos com o nosso dever?, afirmou o comandante do Corpo de Bombeiros, coronel Jadir Ferreira. Apesar do inquérito ter apontado a responsabilidade dos militares na morte do soldado, Jadir não acredita que eles tenham feito isso de forma intencional. Segundo ele, o tenente Wellington tem uma ficha funcional exemplar e talvez tenha errado por exigir demais no treinamento. O pai de Emerson, Edilson Cerqueira, espera que os militares sejam condenados por homicídio doloso (com intenção de matar). Edilson não tem dúvida de que se eles tivessem atendido aos pedidos de socorro de Emerson, o filho não teria morrido afogado. ?Meu filho foi apanhado a mais de 500 metros do local onde ele estava fazendo o treinamento?. Emerson foi resgatado por pescadores que passavam pelo local do treinamento e não havia nenhuma unidade de resgate por perto. Segundo Edilson, o tenente Wellington teria dado três voltas ao redor de Emerson e não atendeu aos apelos de socorro dele. ?Se ele tivesse estendido a mão, meu filho não teria morrido?, afirmava a mãe de Emerson, Josicleide Lima de Cerqueira. O pai de Emerson adiantou que pretende entrar com um processo contra o Estado, para que a mãe tenha direito a receber uma pensão, já que o filho era servidor efetivo do Corpo de Bombeiros. Para lembrar os dois anos da morte de Emerson, será celebrada missa hoje, às 16 horas, no Condomínio Morada Nova, no Tabuleiro do Martins.