Polícia
Na pol�cia, Charl�o foge de perguntas e se cala
BLEINE OLIVEIRA O delegado Dalmo Lima Lopes, que preside o inquérito sobre o espancamento praticado por um bando de pitboys, não conseguiu, ontem, atingir seu objetivo de identificar dois outros lutadores de jiu-jítsu que aparecem numa fita de vídeo, principal registro das agressões ao estudante Klébson Silva de Almeida, na casa de shows UAU, em Jaraguá, dia 11 de julho. Ontem, ao ser interrogado por Dalmo Lopes, o lutador Charles Alexandre Moura França, o Charlão, apontado como líder da gangue que espancou o estudante, negou-se a fazer qualquer declaração. ?Ele [Charles] se recusou a falar. Disse que só se pronuncia na Justiça?, informou o delegado. Charlão foi levado para depor no Departamento de Polícia do Interior (Depin), na sede da Secretaria de Defesa Social (SDS) por um grupamento do Tático Integrado (Tigre), da Polícia Civil. O acusado tentou evitar que fossem registradas imagens suas algemado. Para disfarçar sua presença e confundir fotógrafos e cinegrafistas, Charlão vestia uma camisa preta, mesma cor do uniforme dos policiais. Hoje, a partir das 10h, o delegado Dalmo Lopes continua o interrogatório, desta vez ouvindo Leandro Albuquerque Ferro, o Leleco, e Paulo Henrique Gouveia, todos presos e indiciados pela agressão ao estudante. O processo está no Ministério Público, que tem até sexta-feira (20) para decidir se denuncia os acusados e, neste caso, qual a acusação: tentativa de homicídio, como indicou a polícia, ou lesão corporal, como pede a defesa dos pitboys. Enquanto isso, o delegado Dalmo Lopes continua tentando chegar a todos os envolvidos no episódio. Ele considerou fantasiosa a versão de Charles Alexandre, de que o estudante Klébson Almeida ?provocou? os pitboys. Para o delegado, mesmo que isso fosse verdade, caberia a eles imobilizar o rapaz e não agredi-lo como mostra a fita de vídeo, principal prova do inquérito. Família de Klébson A enfermeira Kátia Almeida, mãe do estudante espancado, teme que os agressores passem a mentir, tentando atingir a honra de seu filho. Ela soube, por exemplo, que no depoimento que Leleco prestará à polícia hoje, às 10h, na Secretaria de Defesa Social, dirá que Klébson molestou sua namorada, o que teria motivado a agressão. Para a mãe da vítima, se isso ocorrer, fica comprovado que a estratégia deles é tentar transferir para seu filho a culpa pelo que ocorreu. Por isso, ela preferiu não comentar as declarações de Charles Alexandre Moura França, o Charlão, apontado como líder da gangue, de que seu filho Klébson é responsável pelo que ele (Charlão) definiu como ?briga de galeras?. Mesmo tendo admitido que viu as imagens da fita de vídeo em que o estudante aparece sendo violentamente espancado, ao falar pela primeira vez sobre o episódio que o levou para a cadeia, Charlão acusa Klébson de tê-lo ?provocado?, levando-o a ?reagir?. Imagens da violência A fita, gravada na UAU, mostra toda a violência dos lutadores. Três dos quatro acusados pelo espancamento aparecem esmurrando e pisoteando o estudante. Num dos momentos da selvageria, Charlão torce o braço de Klébson. Noutro, Leandro Ferro pisa na cabeça do rapaz, que está no chão, desmaiado. Mesmo assim, o principal agressor, Charlão, insiste em afirmar que o rapaz o ?provocou?. A mãe de Klébson disse temer que qualquer comentário seu possa ser usado para favorecer a gangue de pitboys que espancou seu filho. Para ela, tanto Charlão quanto Leandro Albuquerque Ferro, Thiago Lyra e Paulo Henrique Gouveia estão orientados e vão ?inventar? qualquer coisa para se livrar do crime que praticaram. ?Prefiro esperar o final do depoimento de todos eles para fazer qualquer comentário. O que me importa agora é que meu filho se recupere para falar na Justiça sobre a violência que sofreu? , afirmou Kátia.