Polícia
Quem invadiu a Eureka conhecia a casa
EDNELSON FEITOSA O delegado Dalmo Lima declarou ontem à imprensa que ?quem abriu a Eureka usou uma chave?. Ele garantiu que não se tratou de arrombamento. A pessoa abriu a porta lateral e entrou no restaurante, em Jaraguá, provavelmente na última segunda-feira. A invasão ocorreu horas depois do assassinato do dono da tradicional macarronada da Praça Rayol, Walter de Castro Reis, o Vavá, 63, e da companheira dele, Cenira Maria Bezerra Lessa, 56, executados a tiros na residência do casal, na Jatiúca, na madrugada da última segunda-feira. Dalmo Lima confirmou que o objetivo do arrombamento não era roubo. Quebraram um vidro para abrir uma porta, já dentro do prédio. O propósito era levar documentos, não objetos de valor. ?Eles levaram apenas um microsystem velho, quando havia aparelhos de televisão e DVD?, disse o delegado. Outro ponto que chamou a atenção da polícia é que o autor do suposto arrombamento conhecia o sistema da casa, pois quebrou o vidro da porta exatamente no local da fechadura (cadeado). A polícia não sabe o que foi levado do escritório da Eureka: supõe que eram documentos, provavelmente promissórias. Alvo do atentado O delegado Dalmo Lima destacou que está claro para a polícia que o alvo do atentado era Cenira, a segunda mulher de Vavá. É possível que os pistoleiros nem quisessem matar Vavá, que foi deixado no local do atentado ferido, mas com vida. Cenira, ao contrário, foi atingida com cinco tiros e morreu no local. O delegado confirmou ter ouvido de um dos filhos de Vavá, Walter Júnior, que ele tinha discussões com o pai porque este havia passado a Eureka para Cenira. Foi Walter Júnior quem declarou à polícia que Cenira vivia há apenas dois anos com seu pai, após uma separação conturbada de sua mãe. Segundo a polícia, Vavá passou dois anos mantendo um relacionamento extraconjugal com Cenira, e depois assumiu. O delegado informou também que Cenira era que dirigia o veículo do casal, porque não confiava no companheiro ao volante: Vavá recentemente vinha bebendo demais. Na noite do atentado, os pistoleiros esperaram que Cenira estacionasse o veículo na garagem para invadir o local e efetuar os disparos que provocaram a morte dela e de Vavá.