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Presos s�o feridos em tentativa de rebeli�o

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A guarda interna sufocou ontem um princípio de rebelião no Módulo 2 do Presídio Baldomero Cavalcanti. A confusão começou por volta das 6h30, quando um grupo de presos encapuzados espancava um companheiro de cela. Agentes penitenciários tentaram impedir a execução do detento, mas os presidiários se amotinaram. Houve tiros e dois presos acabaram feridos à bala. O caso está sendo investigado pela Delegacia do 10º Distrito. O início da troca de 100 detentos entre os presídios Cirydião Durval e Baldomero Cavalcanti, determinada pelo juiz de Execuções Penais, Jamil Amil Ferreira, é apontado como motivo de os detentos se rebelarem. O magistrado deu prazo de 24 horas para o sistema penitenciário se adequar à ordem judicial que prevê que só fiquem no Baldomero presos condenados pela Justiça. No Cirydião Durval só devem permanecer presos sub judice, ou seja, que ainda não foram julgados. Facção rival A determinação do juiz começou a ser cumprida na última quinta-feira, quando houve a troca de 20 presos entre os dois presídios. O chefe do Setor de Disciplina do Baldomero, Eraldo Oliveira Sabino, explicou que foram feitas adaptações, por causa de problemas existentes entre facções rivais. ?É preciso saber se pode haver convívio entre os presos?, disse Sabino. Apesar de a direção adotar muitos critérios, inclusive ouvindo os representantes dos módulos, os problemas começaram a surgir no dia seguinte. ?O detento Márcio José Nascimento Costa, 31, estava sendo espancado por companheiros, quando os guardas apartaram, gerando uma confusão?, relatou Eraldo Oliveira Sabino. ?Estouro? ?Quando os guardas tentaram entrar, eles então ?estouraram? o módulo, na tentativa de atingir outras áreas da penitenciária?, destacou o chefe de Disciplina, acrescentando que não era um simples motim, e que, na verdade, o grupo encapuzado queria chegar ao detento Rubens Carlos da Silva, o ?Hang Louse?, um preso que está marcado para morrer, caso permaneça no Baldomero?. Para evitar que os presos deixassem as celas, os guardas Paulo Jorge Lima Júnior, Luiz Carlos Lins Pimentel e Ricardo Silva reagiram atirando. Os tiros atingiram os presos Erival Oliveira dos Santos, 31, baleado nas nádegas, e Claudiano Bernardo dos Santos, 25, ferido na perna. A dona de casa Maura Gomes da Silva, 27, esposa do preso Erival Oliveira dos Santos, ficou desesperada ao saber que o marido havia sido baleado numa confusão no presídio Baldomero Cavalcanti. Ela disse ter visitado o detento na última quinta-feira. ?Em nenhum momento ele falou de problemas entre presos no Módulo 2. Se aconteceu alguma coisa, foi depois da minha saída?, contou ela. Maura vive há nove anos com Erival, que está recolhido ao Baldomero desde 1998, quando foi processado por tráfico de drogas. ?Fiquei preocupada com o que aconteceu. Graças a Deus o tiro foi na perna?, disse ela, declarando somente ter ficado tranqüila quando viu sua chegada à Unidade de Emergência numa ambulância do Serviço de Atendimento Médico de Urgência (Samu). Choro Uma mulher, que chegou chorando e não quis se identificar, disse ser parente de Márcio José. Ela precisou dar entrada no hospital ao saber da gravidade do estado de saúde do detento, que tinha um corte profundo na cabeça e apresentava contusões e escoriações em diversas partes do corpo. Adequar situação O diretor do Presídio Baldomero Cavalcanti, José Fernandes do Nascimento, admitiu que a troca de presos com o Cirydião Durval traz situações adversas, mas aos poucos vai adequar a situação. ?Não esperava o que aconteceu, mas ordem de juiz não se discute?. Nascimento garantiu que o clima voltou ao normal e lembrou que é o primeiro caso de tumulto naquele presídio desde que assumiu a direção, há cinco meses.

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