Polícia
Movimento negro e OAB: �Alagoas � Estado racista
DORGIVAL JUNIOR Representantes de movimentos afro-brasileiros e de entidades de defesa dos direitos humanos declararam que Alagoas ainda é um Estado racista, onde o medo e o silêncio contribuem para o agravamento do quadro de discriminação de minorias. A atitude do chefe de segurança da boate Middô, Antônio Carlos dos Santos, de denunciar o preconceito racial sofrido, foi parabenizada pelas entidades, que destacaram a necessidade de combater o medo das vítimas de procurarem seus direitos. O presidente da OAB, Marcos Mello, informou que o racismo ainda é muito forte em Alagoas, apesar de o Brasil ter uma das legislações mais adequadas para coibir este tipo de crime com a aplicação da Lei Afonso Arinos. ?Por mais que as entidades lutem contra o racismo, há grupos da sociedade que discriminam as pessoas negras. Todos nós somo iguais e não é a cor da pele que torna alguém diferente ou inferior. Se as pessoas tivessem a consciência de denunciar qualquer tipo de violação que sofressem, teríamos um quadro diferente. O silêncio é o nosso pior inimigo?, acrescentou o advogado. O presidente da Ordem esclareceu, ainda, que a entidade mantém em atividade e à disposição da sociedade a Comissão das Minorias e a dos Direitos Humanos, criadas para defender pessoas que têm seus direitos como cidadãos violados. ?A OAB tem a missão de defender o cidadão. Para combater com maior eficácia o preconceito e o racismo, é necessário que as pessoas nos procurem e façam suas denúncias. Apesar de toda a estrutura montada, as denúncias ainda são poucas?, disse ele. O diretor do Núcleo de Estudos Afro-brasileiros da Ufal, Moisés Santana, destacou a importância de as minorias se posicionarem e denunciarem o preconceito de que são vítimas. ?As pessoas que são vítimas de racismo têm que se posicionar e denunciar às autoridades competentes as agressões?.