Polícia
Detento solto pelo TJ volta � pris�o por assalto
EDNELSON FEITOSA O pedreiro Elenildo Gomes de Oliveira, 30, que cumpriu cinco anos de prisão por homicídio no presídio Baldomero Cavalcanti, foi colocado em liberdade, na semana passada - por decisão do Tribunal de Justiça ? mas voltou para a cadeia três dias após sua soltura. No último sábado, ele tentou assaltar o motorista Ednaldo Cordeiro da Silva, 28, da fábrica da Coca-Cola, no Distrito Industrial Luiz Cavalcante, e acabou autuado em flagrante pela Polícia Civil. Elenildo havia sido beneficiado pelo chamado Mutirão da Justiça, uma tentativa do TJ de desencalhar processos pendentes no sistema penitenciário de Alagoas. O assalto No momento do assalto, Elenildo estava vestido com um paletó e tinha uma Bíblia na mão. De acordo com depoimentos na polícia, o motorista agarrou a arma de Elenildo e entrou em luta corporal com o acusado. Elenildo disparou cinco vezes, atingindo o motorista com um tiro de raspão na cabeça e outro na perna. Os estampidos chamaram a atenção de policiais que estavam próximos ao local do crime. Elenildo foi preso e autuado em flagrante na Central Integrada de Atendimento Policial ao Cidadão (CIAPC II), no Tabuleiro do Martins. Ele foi recolhido à carceragem da Delegacia de Roubos e Furtos e deverá retornar ao sistema prisional ainda esta semana. Desemprego Na manhã de ontem, o acusado declarou à imprensa que, na última sexta-feira, foi procurar emprego na Coca- Cola, onde havia trabalhado no final da década de 90. O pessoal do setor de Recursos Humanos alegou não haver vagas, quando soube que se tratava de um ex-presidiário. ?Estive lá e em outros locais, e a resposta era a mesma: não há vagas?. Elenildo Gomes de Oliveira declarou que ?não dá para ter calma? quando em sua casa existem uma mulher e oito filhos menores para sustentar. ?É fácil agora me julgar, por eu ser um ex-detento. Vocês vão dizer que nem bem saí da prisão e já estou de volta. Vejam o meu lado. Pensem numa mulher e oito filhos para alimentar e não ter dinheiro?, ponderou ele, acrescentando que sua família passa fome ?e isto não é uma coisa boa de se ver?. Ele lembrou que sua prisão foi por assassinado, nunca se envolveu em roubo ou tráfico de drogas. ?Matei para não morrer?, declarou ele, mostrando cicatrizes que garantiu terem sido de ferimentos a bala. Voltou para roubar O pedreiro declarou que voltou para a fábrica armado, porque queria assaltar. Sabia que os caminhões chegam sempre com muito dinheiro. ?Tem motorista que recolhe até R$ 10 mil em meio expediente de serviço. O que não imaginei foi uma reação da vítima?, admitiu Elenildo. O acusado disse ainda que não foi ele quem efetuou os disparos e sim o motorista. ?Agarrado na arma, ele acionou o gatilho. Não fui eu. Assumo que tentei o assalto, mas não cheguei a roubar nada. Ter ferido o motorista, eu não confesso?, advertiu ele. O motorista Ednaldo Cordeiro da Silva compareceu ontem à Delegacia de Roubos e Furtos, onde foi ouvido pela delegada Bárbara Arraes. Ele declarou que vinha chegando à fábrica, quando um homem de terno e com uma Bíblia se aproximou do veículo sem chamar muita atenção. Não deu para imaginar, segundo ele, que um suposto evangélico pudesse sacar a arma e anunciar o assalto, e foi o que aconteceu. A reação foi automática, pois a arma estava a poucos centímetros de seu corpo, revelou Ednaldo, que garantiu ter sido o acusado quem efetuou os cinco disparos. O motorista foi atingido na cabeça e na perna, ferimentos leves.