Polícia
Internet ajuda a localizar fugitivo de Alagoas em SP
Preso de uma forma pouco comum, pois foi localizado e rastreado pela Internet, o aposentado Geraldo Demésio da Silva voltou para Alagoas da maneira tradicional: escoltado por policiais da Delegacia Especial de Investigações e Capturas. Ele chegou, na madrugada de ontem, em Maceió, em vôo da Vasp, e foi levado direto para o presídio Cirydião Durval, no Tabuleiro do Martins, onde aguardará julgamento. Foi a família do torneiro mecânico José Cláudio Ferreira dos Santos, executado a tiros em setembro do ano passado, em Rio Largo, que decidiu iniciar sua própria investigação e recorreu à Internet para localizar o acusado do homicídio. Foram cerca de dez meses de investigações e consultas aos sites da rede de computadores. As primeiras pistas surgiram em junho, por intermédio do site ?Farejador?. O acusado poderia estar escondido no município paulista de Capela, onde sua filha havia dado entrada nos papéis em um cartório para se casar. A investigação se concentrou em São Paulo, pois se descobriu que era naquela cidade que ele costumava sacar o dinheiro de sua aposentadoria. ?Foi então que passamos a rastrear a pensão, que ele costumava receber em lojas lotéricas, bem como sua movimentação bancária?, informou um parente. Em agosto, policiais de São Paulo receberam um mandado de prisão expedido pelo juiz Mirandyr César de Lima, da comarca de Rio Largo, além da fotografia do acusado. A prisão ocorreu no dia 18 de agosto, quando Demésio estava em sua casa no bairro de Campo Grande, na capital paulista. Na madrugada de ontem, parentes de José Cláudio aguardavam a chegada do acusado no Aeroporto Zumbi dos Palmares. Uma irmã da vítima protestou, no momento do desembarque, aos gritos de ?assassino?. Um cunhado da vítima, que participou da investigação via Internet, preferiu dizer apenas: ?Conseguimos, ele agora vai para cadeia!?. O juiz Mirandyr César, que determinou a transferência de Geraldo Demésio da Silva de São Paulo para Alagoas, ainda não marcou a data em que ele deverá ser interrogado pelo homicídio. A Justiça agora tem um prazo, visto que o réu está preso, para concluir o processo e marcar o julgamento. Os parentes esperam que isto aconteça logo, se possível no início de 2005.