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Pol�cia prende mulher acusada de liderar tr�fico

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EDNELSON FEITOSA A polícia deu ontem um golpe certeiro no tráfico de maconha nos bairros de Ouro Preto e Novo Mundo, periferia de Maceió, com a prisão de Cleidiane Joana de Jesus Silva, 23, acusada de liderar o tráfico na região. Ela foi presa e autuada em flagrante pelo delegado de Repressão às Drogas, Flávio Saraiva. Joana confessou à polícia ter assumido o controle do tráfico nos dois bairros, após a prisão do marido, Francisco de Assis Ferreira, o ?Batalha?, flagrado numa barreira policial com dez quilos de maconha, na estrada de acesso ao município de Petrolina, no Sertão de Pernambuco. Francisco de Assis, condenado por tráfico e assassinato em Maceió, havia conseguido fugir do presídio Baldomero Cavalcanti, este ano, mas acabou preso em flagrante e processado em Pernambuco. A idéia de assumir os ?negócios? do marido, segundo Cleidiane, surgiu durante uma visita à cadeia pública de Petrolina. Bocas Há dois meses, a polícia descobriu que Cleidiane vinha abastecendo as bocas-de-fumo do Ouro Preto, chegando a vender, por semana, de quatro a cinco quilos da droga, que ela mesmo transportava para Maceió, usando rota e contatos do marido no Polígono da Maconha, no alto sertão pernambucano. ?Não foi difícil para ela, porque os traficantes pernambucanos conheciam e confiavam no Batalha, que em nenhum interrogatório denunciou de quem havia comprado a droga?, informou o delegado. Flávio Saraiva contou que, após uma série de investigações, inclusive com ?campanas? (observação perto do local), identificou a principal boca-de-fumo utilizada por Cleidiane. Ficava na Grota do Aterro, no Novo Mundo, numa área de difícil acesso, por causa do terreno acidentado. ?Solicitei um mandado de busca, que foi atendido pelo juiz de Entorpecentes, Antônio Bittencourt?, explicou Saraiva. Na madrugada de ontem, policiais da Delegacia de Repressão às Drogas invadiram o local, prendendo Marisa de Oliveira Pereira, 24, grávida de nove meses, e o marido dela, Fábio Nascimento dos Santos, 28, uma espécie de segurança do ponto de venda de maconha. Cleidiane foi presa em seguida, quando chegava ao local. Os policiais declararam que havia meio quilo de maconha num saco, além de 70 bombinhas, prontas para venda. Com eles, a polícia apreendeu um pacote com seda para enrolar os cigarros, um envelope de comprimidos de Rivotril, um remédio controlado à base de diazepan, além de R$ 700 em dinheiro, que foi anexado ao inquérito por se tratar de dinheiro de tráfico. Receptação Quando foi interrogada pelo delegado Flávio Saraiva, Cleidiane Joana confessou ter comprado a droga no Polígono da Maconha, em Pernambuco, mas afirmou ter sido uma única vez, versão que não é confirmada pelo casal de cúmplices, nem por testemunhas, usuários de drogas dos bairros do Ouro Preto e Novo Mundo, que garantem ter ela assumido o comércio de maconha na área desde a prisão do marido Francisco de Assis. Ela assegurou não ter comprado mais do que R$ 500, pois pretendia dobrar o dinheiro e passar a comprar produtos roubados, por se tratar de um ?negócio? menos arriscado e mais lucrativo. Disse que conhece os ladrões do bairro, porque são usuários de maconha e velhos conhecidos de seu marido. Na rota do Polígono A compra da droga no Sertão de Pernambuco chamou a atenção do delegado Flávio Saraiva, porque a maioria das apreensões realizadas pela DRD e Polícia Federal no Estado é de maconha importada, plantada no Paraguai. A maconha produzida nas ilhas do Rio São Francisco e nos municípios do Polígono da Maconha, principalmente Canindé, Floresta e Cabrobó, tinha perdido espaço no comércio local, por causa do preço e da qualidade. Parecia ter ficado caro plantar ?erva? na região, em virtude da rigorosa fiscalização da PF. A apreensão de maconha pernambucana num barraco da grota do Aterro, no Novo Mundo, preocupa as autoridades de segurança pública do Estado, pois pode significar o retorno de uma antiga área de produção da droga no Nordeste e a derrota em uma ?guerra? que já dura mais de quatro anos.

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