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Fid�lis e Ari condenados a regime fechado

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BLEINE OLIVEIRA FÁTIMA ALMEIDA Por seis votos a um, o fazendeiro José Fernandes Neto, o Fernando Fidélis, apontado pela polícia como um dos maiores criminosos do Estado, com envolvimento em crimes de latrocínio e homicídio, foi condenado ontem pelo Tribunal do Júri de Maceió a 19 anos de reclusão, em regime fechado, pelo assassinato do estudante Luiz Carlos Clemente. O crime foi praticado no dia 10 de outubro de 1986, no Bar do Relógio, em Viçosa. Ontem, também, após 12 horas de julgamento, foram condenados a 16 anos de prisão, cada um, Amauri Soares Ferreira, o Ari, e Carlos César de Lima, o Nego César. Eles foram condenados pelo assassinato de José Maria da Silva, o Douglas, em outubro de 2000, no Centro de Maceió . No crime que envolveu Fernando Fidélis, além da morte do estudante Luiz Clemente, os tiros disparados pelo fazendeiro provocaram lesões de natureza grave em José Barros da Silva. O crime ocorreu há 18 anos e, segundo a juíza da 3ª Vara Especial Criminal, Nirvana de Mello, ?inexplicavelmente? o processo ficou durante 11 anos com o advogado que Fernando Fidélis contratou na época. Outro fato que provocou a demora no julgamento foi a fuga de Fidélis, acusado em outros processos penais, como o assassinato do tributarista Sílvio Vianna e num crime bárbaro que ficou conhecido como a Chacina de Viçosa. Ele só foi recapturado em junho deste ano. ?Com a prisão dele, não era mais possível adiar esse julgamento?, disse a juíza. Logo no início da sessão, Fernando Fidélis se recusou a responder a qualquer pergunta, fosse da juíza, da promotoria ou da própria defesa. Ele alegou que já havia sido julgado e absolvido pelo crime, manifestando insatisfação por estar novamente no banco dos réus. A absolvição do fazendeiro foi anulada pelo Tribunal de Justiça, atendendo a recurso impetrado pelo Ministério Público Estadual por meio do então promotor do caso, Carlos Jorge Bezerra de Barros. Motivo fútil Fidélis é acusado junto com seu irmão, Francisco de Assis Fernandes Costa, já falecido, de ter assassinado o estudante Luiz Carlos Clemente por motivo fútil e com perversidade. Segundo o processo julgado ontem, no dia 10 de outubro de 1986, Fidélis e o irmão chegaram juntos ao Bar do Relógio. Quando estavam estacionando seu Monza, foram alertados por Clemente para que tomassem cuidado, pois o carro estava quase colidindo com outro já estacionado. Após o alerta, Clemente voltou para a mesa onde estava com outros rapazes. Conforme depoimento de uma das vítimas, depois de descer do Monza, Fidélis e Assis se dirigiram a Clemente. Ao se aproximar da mesa, Fernando Fidélis teria dito: ?Não gostei da sua imbecilidade!?. Em resposta, Clemente afirmara: ?Imbecil é você!? e se voltou para os amigos com quem estava. O relato das testemunhas mostra que, diante dessa resposta, e sem dar oportunidade de defesa, Fidélis sacou o revólver e disparou diversas vezes contra Clemente e as demais pessoas que estavam com ele. O estudante morreu no local, enquanto seu colega José Barros Silva, gravemente ferido, foi levado ao hospital, onde sofreu três intervenções cirúrgicas. Todos os fatos foram relembrados pelo promotor José Alfredo Gaspar de Mendonça, que desmontou totalmente os argumentos de testemunha apresentada pela defesa. Ari condenado Os testemunhos da ex-namorada e de um irmão de José Maria da Silva, o Douglas, assassinado em outubro de 2000, no Centro de Maceió, foram decisivos para a condenação de Amauri Soares Ferreira, o Ari [conhecido como o maior traficante de Alagoas], e de Carlos César de Lima, o Nego César. A sentença foi anunciada pela juíza Nirvana Mello, da 3a Vara Especial Criminal, na madrugada desta sexta-feira. Ari e Carlos César foram julgados culpados do crime de homicídio e condenados, cada um, a 16 anos de reclusão em regime fechado. De acordo com a juíza Nirvana, a ex-companheira de Douglas, Maria Isabelle, já havia declarado, no inquérito, que a única pessoa com motivo para matá-lo era Ari. No dia do julgamento, que começou às 13h da última quinta-feira, ela se recusara a comparecer, mas foi escoltada pela polícia, por determinação da juíza. Isabelle confirmou seu depoimento anterior, acrescentando que dias antes do assassinato, Douglas havia sido emboscado, e que tinha visto Ari atirando contra o portão de sua sogra. O irmão da vítima confirmou que havia tomado conhecimento, por meio da cunhada, de que teria sido Amauri Soares o responsável pela morte de José Maria da Silva.

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