Polícia
Caso Eureka: suspeito nega mas deixa d�vidas
EDNELSON FEITOSA O ?técnico em marketing? ? como ele se apresenta ? William Ferraz, apontado como suspeito de envolvimento no assassinato dos empresários Walter Castro Reis, o Vavá, e Cenira Maria Bezerra Lessa ? ocorrido na Jatiúca, em 6 de setembro ? prestou depoimento, na manhã de ontem, durante quase três horas na Delegacia do 2º Distrito. Ferraz confirmou ao delegado Dalmo Lima que tinha negócios com o casal. Garantiu não ter nenhum envolvimento no duplo homicídio, mas admitiu que sabia que as vítimas vinham sofrendo ameaças de morte. William Ferraz declarou à imprensa, após o depoimento, que se considera um ?arquivo vivo de Cenira?, pessoa que conhecia desde 2001, e que por isso está sendo jogado no caso como ?bode expiatório?. ?Não sei de quem partiram as acusações; espero que não tenha sido das pessoas que mataram os dois, pois assim estou correndo risco de vida?, disse ele. Vavá e Cenira Lessa eram proprietários do restaurante e macarronada Eureka, em Jaraguá. Eles foram executados a tiros por dois motoqueiros no momento em que chegavam na casa onde moravam, na Jatiúca. Apesar de declarar ter conhecimento das ameaças ao casal, William Ferraz assegurou desconhecer de quem partiu a ordem para matar os donos da Eureka. ?Na véspera do crime, Vavá esteve no meu escritório e me chamou para contar as ameaças. Não dei muita importância, porque não era a primeira vez que me procurava com esse tipo de problema. Nem procurei saber de quem tinham partido as ameaças?, alegou ele. Segundo William Ferraz, ?Vavá era acostumado a se envolver em broncas, principalmente por causa do CRB, clube do qual era torcedor fanático, ou quando bebia e acabava entrando em encrencas?. ?Mesmo assim, orientei que fizesse um Boletim de Ocorrência das ameaças?, continuou ele. Apartamento Indagado sobre a compra de um apartamento de Cenira Lessa, por R$ 100 mil, e de ter efetuado o pagamento com cheques sem fundos, provocando um sério desentendimento entre Cenira e ele próprio, inclusive com troca de insultos e ameaças, Ferraz desmentiu o fato, alegando ter apresentado ao delegado Dalmo Lima Lopes documentos e recibos que comprovam, segundo disse, que o imóvel foi quitado há um ano. No entanto, a polícia foi informada por testemunhas de que o primeiro cheque do suspeito havia sido depositado em 3 de setembro e não tinha fundos. O casal foi assassinado três dias depois. Ferraz disse à imprensa que tudo foi registrado em cartório, inclusive os pagamentos. ?Não tenho nada a esconder. Tudo foi revelado à polícia?, disse.