Polícia
PMs e oficial acusados de abuso de autoridade
Quatro policiais militares estão sendo acusados de truculência e abuso de autoridade contra o comerciante Asdrúbal Rocha Raposo, cunhado do juiz da 3ª Vara Criminal da Capital, Hélder Loureiro. Na tarde de ontem, o advogado da vítima, José Maria Bispo, entrou com representação administrativa junto ao comando geral da Polícia Militar contra os PMs, entre eles, um major, identificado como Lima Júnior, e sugeriu pena máxima. Ele deu entrada também com uma ação criminal no Ministério Público. Na representação, o comerciante denunciou ter sido tratado de forma ?covarde e mesquinha?. Relatou ter sido ?humilhado? pelos policiais, chamado de ?traficante e cabra safado? e ainda ameaçado: caso se mexesse, levaria um tiro na cabeça. Ele identificou os militares como sendo os soldados PM Natanael, Machado e Franklin, lotados no Batalhão Escolar, além do major PM Lima Júnior. Teria sido o oficial quem deu a ordem para que fizessem a abordagem. Caminhada Segundo a vítima, na manhã do último dia 3 de janeiro, fazia sua caminhada matinal pelas ruas do bairro do Pinheiro e, ao passar nas imediações do Cepa, foi surpreendido pelos policiais militares que, aos gritos, diziam: ?É esse mesmo! Este cara é traficante de drogas! Vai! Vai logo, cabra safado, ponha as mãos no muro e não tente se mexer senão eu pipoco seus miolos?. Ele afirmou que, na presença de dezenas de pessoas, foi revistado e, como nada foi encontrado ? os PMs procuravam drogas ?, os policiais militares resolveram dar-lhe voz de prisão, dizendo que iriam levá-lo para a CIAPC para averiguação. Enquanto era humilhado e taxado de ?cabra safado, traficante? e alvo de palavrões pelos referidos policiais, segundo o comerciante, protestava por sua inocência, dizendo se tratar de um homem de bem e que nada devia à polícia. Disse que pediu para que deixassem ligar para sua família. Enquanto aguardava a chegada de uma viatura para conduzir Asdrúbal Rocha Raposo à CIAPC, um dos policiais teria dito: ?Deixe esse porra ligar para a família; a gente não tem obrigação de atender telefone de ninguém?. O comerciante contou que, então, ligou para seu cunhado, o juiz Hélder Loureiro, informando o que estava ocorrendo. Foi preciso o juiz confirmar que Asdrúbal era seu cunhado e um homem de bem para poder ser liberado pelos militares. Ainda no local, o juiz Hélder Loureiro indagou aos policiais Natanael, Franklin e Machado qual a razão daquela brutal forma de abordar as pessoas, obtendo como resposta a afirmativa de que se tratava de um ?trabalho do serviço de inteligência da PM?, e que estavam ?apenas cumprindo ordens do major PM Lima Júnior?. Camisa e bermuda Disseram, ainda, que o major PM Lima Junior, que também fazia caminhada matinal naquele momento, ?desconfiou? do comerciante, simplesmente porque Asdrúbal estava trajando ?uma camiseta de malha e uma bermuda, calçando uma sandália japonesa e portando um telefone celular?, e, por isso, teria ordenado que os PMs o prendessem. No entender do advogado, a vítima ?foi submetida a tratamento degradante, ao ridículo em via pública, taxado de traficante e cabra safado, e, inclusive, ameaçado de morte, numa demonstração clara e inequívoca do despreparo profissional e de exibicionismo com requintes de abuso de autoridade?. Na representação, o advogado destacou que os fatos são configuradores do delito de abuso de autoridade e solicitou ao comando geral da PM a imediata abertura de sindicância administrativa e que, ao final, seja aplicada aos militares a pena máxima prevista em lei. (EF)