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PMs acusados de assassinato continuam soltos

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DORGIVAL JUNIOR Quase dois meses depois do brutal assassinato do comerciário Tony Herbert Roberto da Silva, 24 ? encontrado morto num sítio próximo à Braskem, no bairro do Pontal, no dia 22 de novembro de 2004 ?, a polícia ainda não divulgou a identidade de três policias militares suspeitos de serem os autores materiais do crime. Quando foi localizado por moradores do local, o corpo do comerciário tinha perfuração à bala na parte superior da cabeça, característica de execução sumária. Ele teve a língua e dedos das mãos arrancados, e havia sinais de tortura nos testículos, ânus e tórax. Os órgãos internos estavam machucados, como se ele tivesse sido chutado e pisado pelos assassinos. Tony Herbert, segundo relatos de testemunhas, teria sido detido por uma equipe da Superintendência Municipal de Transportes e Trânsito (SMTT) na última noite do Maceió Fest ? domingo 21 de novembro ? suspeito de haver tentado arrombar um veículo Pampa, estacionado próximo à unidade do Exército (CSM), no Centro, onde estava sendo realizado o carnaval fora de época de Maceió. Após ter sido detido, de acordo com testemunhas que prestaram depoimento ao delegado responsável pelo caso, Carlos Alberto Reis, Tony Herbert foi entregue a uma guarnição da PM que estava numa Blazer, onde havia gravado o nome Patamo. Foi a última vez que ele foi visto com vida. O corpo da vítima foi achado no dia seguinte, com marca de um tiro na cabeça e sinais de tortura. Segundo o chefe de operações da Polícia Civil, Eliel Tavares, a lista com os nomes de todos os PMs que estavam de serviço no dia em que o comerciário foi preso está em poder do delegado responsável pelo caso. ?Ainda estamos no processo de triagem. Vários policiais estavam trabalhando na noite em que Tony Herbert desapareceu?, disse Eliel Tavares. Segundo ele, logo que os PMs sejam identificados, o delegado Carlos Alberto Reis enviará ofício ao comando da Polícia Militar solicitando a apresentação dos militares. ?Todas as testemunhas arroladas no caso já foram ouvidas. Até os guardas municipais que prenderam o rapaz já prestaram depoimento, confirmando que entregaram a vítima a uma guarnição da PM. Eles alegaram não saber identificar quem são os PMs. Agora, só falta identificar os policiais acusados do crime?, disse o chefe de operações do 3º Distrito. Ele disse que ?no decorrer desta semana?, a polícia ?pode apresentar? os nomes dos PMs suspeitos do crime. O comandante de Policiamento da Capital, coronel Antônio Pimentel ? que também foi o responsável pela coordenação da operação de segurança do Maceió Fest no dia em que o comerciário foi preso e morto ?, declarou que a PM vem colaborando com as investigações policiais, enviando as informações solicitadas pelo delegado que preside o inquérito. ?A lista das armas usadas pelos militares na noite em que Tony Herbert foi preso e uma outra relação, contendo os nomes de todos os policias que estavam trabalhando naquela noite em viaturas Blazer, já estão com a Polícia Civil?, disse ele. ?Naquela noite, tínhamos na Avenida mais de 1.600 homens. Deste contingente, apenas 50 estavam em viaturas Blazer. Apesar de a lista já ter sido entregue à Polícia Civil, ainda não recebemos qualquer tipo de comunicado pedindo a apresentação de algum policial para depoimento?, disse o comandante. O coronel Pimentel disse, ainda, que o comando da PM está aguardando o resultado das investigações do caso para que possa instaurar uma sindicância interna. ?Queremos que este caso seja resolvido. Não estamos protegendo ninguém. Qualquer policial envolvido em crime será banido. Nossa função é prestar segurança à sociedade?, afirmou.

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