Polícia
Assassinato de preso causa tens�o no Baldomero
EDNELSON FEITOSA A transferência do ex-tenente-coronel Manoel Francisco Cavalcante para o presídio de Presidente Bernardes, no interior de São Paulo, não evitou o clima de tensão e medo no presídio Baldomero Cavalcanti. Ontem pela manhã, um detento foi assassinado a golpes de espeto no presídio. A nova escalada de violência começou na tarde de terça-feira, quando dois presos ? Ivanildo Brás da Silva, 26, e Jonas Pereira, 24 ? foram agredidos com estiletes e internados na Unidade de Emergência Armando Lages. Segundo a polícia, o preso Rosival Raimundo da Silva, conhecido como ?Paulista?, foi atacado por outros dois detentos, por volta das 8h30, no Raio 3 do Módulo 4. A vítima foi arrastada para a cela 3 e assassinada com mais de 20 golpes de estilete. Vingança Os presidiários Laélcio Malaquias da Silva e Geovane Ferreira da Silva assumiram o crime. Laélcio revelou no interrogatório, prestado na tarde de ontem ao delegado Dácio Pacheco, do 10º Distrito, que Rosival havia batido em seu rosto no dia anterior. ?O Geovane também não gostava dele, então decidimos matá-lo?, confessou. Laélcio e Geovane foram autuados em flagrante pelo delegado do 10º Distrito. Geovane declarou que concordou em matar Rosival porque este queria liderar um grupo de presos e controlar o Módulo 4, fato com o qual o acusado não concordava, pois considerava a vítima uma pessoa ?chata? e comprometida com a direção do presídio. Dois detentos, testemunhas da morte de ?Paulista?, declararam à polícia que as informações prestadas pelos acusados não são verdadeiras e que eles agiram por vingança e, provavelmente, atendendo à determinação dos presos que comandam o módulo. ?Ele era dedo-duro. Foi o ?Paulista? que delatou a construção de um túnel descoberto no início do ano pela direção do Baldomero?, afirmou o preso aos policiais do 10º Distrito. Pelo menos seis túneis foram descobertos pela direção do presídio Baldomero Cavalcanti nos últimos três meses, fato que evitou fugas em massa como a que ocorreu no início do ano passado, quando mais de 40 detentos conseguiram fugir, após atingirem os fundos do presídio feminino Santa Luzia. Delator Quando descobriram que o delator era Rosival, os presos do Raio 3 do Módulo 4 começaram a planejar seu assassinato. Ele era considerado um bandido perigoso, e nunca deixava de ter um espeto. Quando foi assassinado, estava com uma espécie de punhal de fabricação caseira, que não conseguiu sacar para se defender dos agressores. A trama do crime foi consumada ontem, quando ele foi agarrado pelo pescoço, jogado dentro da cela e ferido com quase duas dezenas de estocadas, que provocaram sua morte.