Polícia
Caso Tony: pedido de pris�o j� na Justi�a Militar
BLEINE OLIVEIRA Apesar de o assassinato do comerciário Tony Herbert Roberto da Silva, 24 anos, envolver policiais militares, caberá à Justiça comum processar os acusados ? o cabo PM Jailton Firmino e os soldados Abdi Ferreira Félix, José Ronaldo dos Santos e Marcelo Carlson Lima de Oliveira. O crime foi cometido no dia 21 de novembro passado. Ontem, o presidente do Inquérito Policial Militar (IPM) que investigou a participação dos militares no crime, major Eduardo Apolo Lucena, encaminhou o relatório do caso à Auditoria da Justiça Militar para distribuição com a vara criminal competente, no Fórum de Maceió. Crime doloso Os militares, que estão presos por determinação do presidente do inquérito militar, continuarão recolhidos até que haja decisão judicial em contrário, ou até o julgamento pelo crime de que são acusados. Eles serão submetidos ao Tribunal do Júri, ou seja, a julgamento popular. ?Em crime doloso de militar contra civil, a competência é da Justiça comum?, disse o auditor militar de Alagoas, juiz James Magalhães. A Auditoria Militar só processa policiais militares que praticaram delito contra outros da corporação. Ao concluir o inquérito militar, o major Lucena manifestou a satisfação do dever cumprido. Lembrando que a denúncia sobre o assassinato do comerciário começou a ser investigada pela própria PM, que teve quatro de seus integrantes apontados como suspeitos, ele destaca a postura ética da corporação militar. ?Agimos com rigor e eficiência. Não temos dúvida de que na Polícia Militar não há espaço para criminosos?, declarou o oficial. Ele condenou a violência que resultou no assassinato de Tony Herbert, mas evitou afirmar que o comerciário tenha sido torturado antes de morrer. ?Acredito que ele possa ter sido espancado, mas essa afirmação só pode ser feita com base em laudos periciais?, diz o major Eduardo Lucena. Segundo ele, constam da investigação laudos do Instituto Médico Legal Estácio de Lima e do Instituto de Criminalística, mas em nenhum deles há dados comprovando a suspeita de tortura. Há, entretanto, uma divergência quanto ao número de balas disparadas contra o comerciário. O laudo do IML diz que ele foi morto com um tiro na cabeça. Essa informação é confirmada pelo IC, mas seus peritos dizem que o rapaz foi atingido também por um tiro num dedo de uma das mãos. Sevícias Por isso, o oficial concorda com a medida proposta pelo delegado Carlos Alberto Fernandes Reis de que o corpo de Tony seja exumado. ?É a forma técnica de provar se ouve ou não sevícias, como foi dito na imprensa?, acrescenta o oficial militar. ?Fizemos um trabalho sério de investigação que resultou na identificação dos responsáveis. Em momento algum houve intenção de proteger quem quer que fosse?, assegura Eduardo Lucena, que já presidiu diversos outros inquéritos na Polícia Militar. O IPM será complementado pelo inquérito policial civil presidido pelo delegado Carlos Alberto Reis, que também pediu a prisão preventiva dos acusados. O cabo PM Jailton Firmino está preso numa cela no Quartel Geral, no Centro, enquanto os soldados Abdi Ferreira Félix, José Ronaldo dos Santos e Marcelo Carlson Lima de Oliveira estão detidos no Batalhão da Radiopatrulha, no Farol.