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Dois PMs suspeitos do rapto e morte de Macl�ia

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EDNELSON FEITOSA Dois policiais militares de Atalaia são suspeitos de haver participado do seqüestro e assassinato da estudante Macléia dos Santos Souza, 23 anos, que desapareceu no dia 2 de fevereiro e cujo corpo foi encontrado no último domingo, num canavial próximo ao trevo de Boca da Mata. Como o crime está sendo investigado em segredo de Justiça, somente o nome do soldado PM Joab [uma espécie de segurança de Amália Miranda, esposa do juiz da comarca de Anadia, Willamo de Omena Lopes, com quem Macléia tinha um filho] foi divulgado até ontem. O delegado Ednaldo Marques não confirma o envolvimento ou o nome do segundo suspeito. O corpo da jovem foi sepultado em clima de grande comoção, na tarde da última segunda-feira. O IML decidiu liberar os restos mortais de Macléia, atendendo à solicitação da família, que fez o reconhecimento de objetos encontrados junto ao cadáver: uma presilha de cabelo, um calçado e pedaços de roupas de Macléia. O delegado Ednaldo Marques afirmou ontem que, em respeito ao clamor social, pois o crime abalou a sociedade local, vai apressar as investigações e admitiu que pode solicitar a prisão preventiva do mototaxista José Sérgio Azevedo da Silva, 35 anos, um dos suspeitos de autoria do seqüestro e assassinato. Ele já foi interrogado. O delegado ressaltou que José Sérgio entrou em várias contradições, fato que complica sua situação no inquérito policial. Foi o mototaxista quem apanhou a vítima em casa, na noite de 2 de fevereiro. Macléia, na ocasião, disse à mãe que iria viajar com José Sérgio ? na moto dele ? ao município de Teotônio Vilela, onde ele receberia uma importância em dinheiro e emprestaria R$ 50,00 a ela. No dia seguinte, José Sérgio procurou a mãe de Macléia, Inês dos Santos Souza, 45 anos, perguntando pela jovem, chegando a chamá-la de ?mãe irresponsável?, pois havia passado a noite fora e deixado seu filho, um menino de um ano e oito meses, com a avó. Ontem, Inês Souza preferiu silenciar e não falou à imprensa durante o velório e sepultamento da filha. Mas comentou com parentes e amigos que suas preces foram atendidas e pôde enterrar a filha de maneira digna e cristã. ?O resto é com a polícia e com a Justiça?, desabafou ela. Há duas semanas, Inês procurou o delegado de Atalaia, Ednaldo Marques, e denunciou que sua filha estava desaparecida. Ela apontou como responsável pelo sumiço Amália Miranda Lopes, esposa do juiz Willamo de Omena Lopes, da comarca de Anadia. Ela revelou que o juiz e sua filha tiveram um relacionamento que resultou no nascimento de um menino, hoje com 1 ano e 9 meses. /// Polícia deve intimar esposa de juiz As investigações policiais confirmaram que havia uma ligação entre Amália Miranda e o mototaxista José Sérgio. Além de ser pessoa de estreito relacionamento com o juiz, Sérgio trabalha com uma motocicleta Honda Titan 150, vermelha, placa MVE 8157-AL, financiada em nome de Amália. José Sérgio disse à polícia que ele próprio paga as prestações da moto. Amália Miranda teria comprado a moto pouco tempo depois de descobrir que o marido tinha um relacionamento amoroso com Macléia, com quem o magistrado tem um filho. Segundo a mãe de Macléia, quando soube do caso, Amália esteve na casa da vítima e, embora exaltada, não teria chegado a fazer ameaças a Macléia, mas insistiu que a jovem devia sair de Atalaia com o filho. Na mesma época, o soldado PM Joab, uma espécie de segurança de Amália ? que é proprietária rural na região de Atalaia ?, esteve na casa de Macléia para conversar com ela. Ele alertou para o fato de que o casal (o juiz Williamo e Amália) era influente no município e que seria melhor para Macléia o filho irem morar em outro lugar, o mais distante possível. Em um dado momento, segundo depoimento da mãe de Macléia, o PM pegou o revólver, tirou as balas, apontou para sua filha e puxou o gatilho, dizendo: ?Veja como é fácil matar uma pessoa?. Segundo o delegado, o soldado Joab deve ser intimado a comparecer à Delegacia de Atalaia para prestar depoimento sobre o caso. Para isso, será necessário encaminhar ofício à Corregedoria Geral da PM para informar das investigações e marcar data da apresentação do policial militar. ?Não podemos falar nada por enquanto, mas a sociedade de Atalaia pode ter certeza de que vamos dar uma resposta satisfatória?, declarou o delegado Ednaldo Marques, que confirmou que Amália Miranda Lopes será ouvida. Ele não adiantou a data do depoimento da esposa do juiz, e insistiu na necessidade de se realizar exame de DNA no corpo achado no canavial em Boca da Mata. (EF)

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