Polícia
Exuma��o do corpo de Tony agora s� depende de delegado, diz perito
Bleine Oliveira O diretor-geral do Centro de Perícias Forenses (Cepefor), Ailton Villanova, informou que a exumação do corpo do comerciário Tony Herbert Roberto da Silva depende apenas de solicitação do delegado que preside o inquérito, Carlos Alberto Reis. Villanova diz que estranhou declarações atribuídas ao promotor Luiz Vasconcelos, de que o Ministério Público pediria judicialmente a exumação do corpo. ?Entendo que o caso ainda está em fase de inquérito, sendo, portanto, atribuição do delegado. Mas, de qualquer modo, havendo solicitação, faremos o procedimento? ? disse o diretor. A proposta de exumar o corpo de Tony Herbert, cujo assassinato é atribuído a quatro integrantes da Polícia Militar de Alagoas, é do próprio delegado Carlos Alberto Reis, intrigado com o ?desencontro? de informações entre os laudos cadavéricos emitidos pelo Instituto Médico Legal Estácio de Lima (IML) e o Instituto de Criminalística (IC). O primeiro informa que houve apenas um tiro; já no laudo do IC, aparecem dois tiros. Há informações de que esse desencontro pode ter sido provocado pela inexperiência de legistas que fizeram a necropsia no IML. O delegado quer saber o que de fato ocorreu com o comerciário desde sua prisão, nas proximidades da 20ª CSM, no Centro, até a localização do corpo, por populares, nas proximidades da Braskem, no Pontal da Barra. A via-crúcis do rapaz começou com sua prisão por guardas municipais de trânsito, sob suspeita de que estaria tentando arrombar um veículo. Segundo garantem testemunhas, Tony foi entregue com vida ao grupamento da Radiopatrulha formado pelo cabo PM Jailton Firmino e os soldados Abdi Ferreira Félix, José Ronaldo dos Santos e Marcelo Carlson Lima de Oliveira. Além do laudo divergente, o delegado pretende dirimir dúvidas surgidas após os depoimentos dos acusados. Ao serem ouvidos, os soldados revelaram que o cabo PM Firmino foi o autor dos dois disparos que atingiram Tony Herbert. O primeiro teria lesionado o dedo mínimo da mão esquerda. O segundo tiro, fatal, foi disparado por trás, na cabeça do comerciário. /// Prisão de PMs acusados ainda incerta REGINA CARVALHO O delegado do 3º Distrito, Carlos Alberto Reis, informou que ontem iria pedir a prisão preventiva dos quatro militares acusados do assassinato de Tony Herbert Roberto da Silva. Mas até o fechamento desta edição, a GAZETA não havia conseguido contato com o delegado. Segundo assessores, Reis permaneceu durante toda a tarde de ontem e à noite em uma reunião na Secretaria de Defesa Social. De acordo com o major Eduardo Lucena, que preside o Inquérito Policial Militar (IPM), o caso está solucionado. ?Não tenho dúvida de que foi o cabo Firmino que efetuou os disparos?, ressaltou. Tony Herbert Roberto da Silva, 24, foi assassinado com um tiro na nuca, em 21 de novembro do ano passado, último dia do Maceió Fest. Os soldados José Ronaldo dos Santos, Marcelo Carlson Lima de Oliveira e Abdi Ferreira Félix apontaram o cabo PM Jailton Firmino como responsável pelo crime. Tony foi morto num terreno baldio, localizado por trás da Braskem, no Pontal da Barra. O cabo PM Jailton Firmino foi preso em flagrante pelo delegado Carlos Alberto Reis por porte ilegal de arma e está no presídio militar no Trapiche. Ele também é acusado de praticar assalto a mão armada contra um PM, no ano passado. Jailton Firmino é também apontado como membro do conhecido bando dos ?Ninjas?, grupo de extermínio que atuou no interior e é responsável por vários crimes, inclusive uma chacina de jovens em União dos Palmares. Os PMs que levaram Tony no veículo da Radiopatrulha foram reconhecidos por guardas municipais. Segundo a polícia, o cabo Firmino bateu várias vezes a cabeça da vítima no veículo Pampa, que ele supostamente tentava arrombar. Supostamente embriagado, Tony foi abordado pelos guardas municipais que o entregaram à guarnição da radiopatrulha. Os soldados disseram à polícia que o cabo Firmino efetuou dois disparos, um fatal e outro que decepou um dedo de Tony. Eles informaram ainda que não puderam impedir a execução, já que Firmino, naquele momento ?comandava a guarnição e eles eram apenas subordinados?. Para a família de Tony Herbert, ele não quis arrombar o veículo, como foi dito. Já a polícia acredita que realmente houve a tentativa, impedida porque os guardas municipais chegaram no momento e entregaram a vítima aos militares.