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Preso mototaxista acusado da morte de Macl�ia

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CARLA SERQUEIRA Foi preso ontem pela manhã, em Atalaia, o mototaxista José Sérgio Azevedo da Silva, 35 anos, principal suspeito da morte da jovem Macléia dos Santos Souza, 23, que havia desaparecido desde o último dia 2 de fevereiro e cujo corpo foi encontrado, com sinais de estrangulamento, no último domingo (28), num canavial próximo ao trevo de acesso a Boca da Mata. O mototaxista José Sérgio, de acordo com o depoimento da mãe de Macléia, Inês dos Santos Souza, 45, foi a última pessoa a estar com sua filha, na noite de 2 de fevereiro. Sérgio teria pego Macléia em casa e a levado para a cidade de Teotônio Vilela, onde, de acordo com essa versão, ele receberia dinheiro e emprestaria R$ 50 a Macléia. ?Pedi muito que ela não fosse, parece que era Deus me alertando, mas ela confiou nele [Sérgio]?, disse Inês dos Santos, na época em que Macléia estava desaparecida. No depoimento que deu à polícia, dias após o desaparecimento de Macléia dos Santos, José Sérgio alegou ter deixado a jovem numa praça, em Atalaia, por onde passava uma procissão, e nunca mais a teria visto. Prisão Segundo o delegado Ednaldo Marques, que preside o inquérito policial, o juiz Manoel Tenório de Oliveira pediu a prisão preventiva do mototaxista. ?Após receber a ordem judicial, efetuamos a prisão de José Sérgio. Ele agora está à disposição da Justiça?. O delegado informou que José Sérgio entrou em contradições, fato que complica sua situação no inquérito policial. Questionado sobre quando seria ouvida a mulher do juiz de Anadia, Willamo de Omena Lopes, Amália Lopes ? acusada pela mãe de Macléia dos Santos de ser a mandante do crime ?, o delegado não quis adiantar informações. ?Estou trabalhando sob segredo de Justiça. Não posso adiantar mais nada à imprensa?, disse, assegurando apenas que as investigações vão continuar ?com o mesmo vigor.? Além de ser pessoa de estreito relacionamento com o juiz, José Sérgio trabalha com uma motocicleta Honda Titan 150, vermelha, placa MVE 8157-AL, financiada em nome de Amália. José Sérgio disse à polícia que ele próprio paga as prestações da moto. Amália Miranda teria compra-do a moto pouco tempo depois de descobrir que o marido tinha um relacionamento amoroso com Macléia, com quem teve um filho, hoje com um ano e nove meses. Outro suspeito de envolvimento na morte de Macléia dos Santos é o policial militar Joab, uma espécie de segurança de Amália Miranda. Segundo Inês dos Santos, mãe de Macléia, o PM teria ido em sua casa, no ano passado, ?sugerir? que sua filha fosse embora de Atalaia. Na ocasião, de acordo com Inês, o PM pegou o revólver, tirou as balas, apontou para sua filha e puxou o gatilho, dizendo: ?Veja como é fácil matar uma pessoa?. No entanto, o delegado Ednaldo Marques não confirma o envolvimento do segundo suspeito. Guarda da criança O ex-promotor de Atalaia, Carlos Fernando, informou que pediu para ser substituído na comarca da cidade, ?porque se sentia desconfortável com a situação?. Ele afirmou que trabalhava diretamente com o juiz Willamo de Omena, pai do filho de Macléia e esposo de Amália Lopes. ?Estava numa situação constrangedora e resolvi solicitar à Procuradoria Geral de Justiça meu afastamento?, relatou. O promotor substituto, Nilson Miranda, assumiu a comarca ontem e informou à mãe de Macléia que ela pode pedir a tutela da criança e, depois, entrar com um pedido de investigação de paternidade. ?Se a paternidade for legalmente reconhecida, a criança tem direito à pensão alimentícia?, garantiu Nilson Miranda. Sobre o valor da pensão, o promotor não soube precisar. ?O valor depende das condições do pai e das necessidades da criança, e é definido em acordo entre as partes. Se não houver acordo, o juiz decide o valor?, explicou Miranda. Como a família de Macléia dos Santos não tem condições de pagar advogado, a Defensoria Pública de Atalaia deve ser procurada para lhe dar assistência jurídica no processo de guarda da criança. ?O melhor caminho seria a Defensoria Pública, para que o Ministério Público funcione apenas como fiscal das leis, e não como autor?, explicou Miranda, salientando que, de toda forma, o Ministério Público também tem competência para entrar com uma ação e pedir na Justiça a guarda da criança para a avó materna.

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