Polícia
Acusado de estuprar e matar professora � julgado
FELIPE FARIAS O julgamento do técnico em refrigeração Leonardo Lourenço Silva, que em novembro do ano passado seqüestrou, estuprou e matou a professora Maria Gonçalves Costa, 32, começou com uma coincidência que, segundo o juiz do caso, Hélder Loureiro, derrubou as alegações de defesa do acusado: a entrega, ontem, do laudo cadavérico. ?O laudo é contundente ao afirmar que a professora sofreu diversas sevícias e severas agressões?, afirmou o juiz titular da 4ª Vara Criminal de Maceió. O corpo da professora foi encontrado amarrado, num matagal da zona rural de Satuba, região metropolitana de Maceió. Parentes da vítima organizaram uma manifestação, portando cartazes com fotos de Maria Gonçalves e dizeres pedindo justiça. O grupo tentou acompanhar a audiência, mas foi impedido e ficou no corredor do Fórum, no Barro Duro. Durante o interrogatório, Leonardo alegou que não tinha intenção de assassinar a professora, com quem mantivera relacionamento, mesmo tendo a levado para um lugar ermo e amordaçado com fitas adesivas. Foram essas fitas, as mesmas que usava em seu trabalho numa oficina de refrigeração, que levaram a polícia a Leonardo. As alegações foram consideradas contraditórias pela promotora de Justiça Miriam Tavares Pinto, representante do Ministério Público no caso. ?Não podemos dizer tratar-se de uma estratégia de defesa?, disse ela, acrescentando achar estranho tal alegação do acusado diante das evidências. Ela informou que vítimas de outros crimes praticados por Leonardo o reconheceram na polícia. Entre elas, a funcionária da Caixa Econômica Vera Lúcia Dantas, vítima de um seqüestro relâmpago praticado por ele próximo a um terminal eletrônico de banco. Foi o carro de Vera Lúcia que Leonardo usou para levar Maria Gonçalves. Ele alegou que pretendia deixar a professora no matagal, voltar à casa dela para roubar vários pertences e fugir de Maceió. José Carlos da Silva, cúmplice de Leonardo, que teria ficado na casa enquanto ele saía com a professora, também iria ser ouvido ontem. Pelo crime, Leonardo pode pegar de vinte a trinta anos de prisão. /// Laudo comprova agressões, diz juiz A divulgação do laudo pericial sobre a morte de Maria Gonçalves foi a prova mais contundente contra Leonardo Lourenço Silva, no início de seu julgamento, mesmo com todos os indícios colhidos pela polícia durante a investigação. O laudo cadavérico da professora Maria Gonçalves Costa chegou ontem à 4ª Vara Criminal, pouco mais de três meses depois do crime, e, segundo o juiz do caso, Hélder Loureiro, é contundente contra o acusado. O laudo mostra que a professora foi estuprada com extrema violência, apresentando diversas dilacerações, e sofreu várias outras agressões físicas. Aponta, ainda, que o disparo na nuca que a matou foi efetuado a curta distância, como ocorre quando a vítima sofre execução sumária. No interrogatório, Leonardo chegou a atribuir à imprensa a imagem de ?monstro? que, segundo ele, passou a lhe ser atribuída. A alegação igualmente foi contestada com as informações periciais que constam do laudo. A promotora do caso identificou uma ligação que a professora Maria Gonçalves Costa teria feito para sua mãe, antes de ser assassinada. A descoberta deve levar o juiz a determinar quebra de sigilo, que pode indicar que, antes de morrer, a professora teria sido submetida a cárcere privado. A então professora recém-formada e concluinte de pós-graduação em Letras, Maria Gonçalves Costa, 32 anos, desapareceu de sua casa, no Poço, no fim de novembro passado. No dia seguinte, ela foi encontrada morta num matagal em Satuba. Cinco primas da professora organizaram uma manifestação pacífica, em frente ao conjunto de salas da 4ª Vara Criminal, no Fórum. Algumas choraram enquanto seguravam cartazes com fotos de Maria Gonçalves e frases exigindo justiça para o crime. ?Não importa quanto tempo teremos de esperar, desde que se faça justiça nesse caso?, afirmou Sayonara Oliveira, diante da previsão de que os interrogatórios deveriam entrar pela noite. Na próxima fase do julgamento, que deve levar ao todo cerca de 60 dias, deverão ser ouvidas as testemunhas de acusação e defesa. (FF)