Polícia
Esposa de juiz suspeita na morte de Macl�ia dep�e hoje em Atalaia
EDNELSON FEITOSA A polícia vai ouvir hoje o depoimento de Amália Miranda Lopes, esposa do juiz de Anadia, Willamo de Omena Lopes. Amália é suspeita de envolvimento no seqüestro, assassinato e ocultação do cadáver da jovem Macléia dos Santos Souza, 23, que desapareceu no dia 2 de fevereiro e cujo corpo foi encontrado num canavial, no município de Boca da Mata, no último domingo (dia 27). O seqüestro ocorreu em Atalaia, e a vítima foi enforcada, segundo os legistas do Instituto Médico Legal. Uma fonte da Polícia Civil informou que Amália poderá ser indiciada no inquérito como suspeita de mandante do crime. Macléia foi levada de casa pelo mototaxista José Sérgio Azevedo da Silva, 35, que se encontra preso na carceragem da delegacia local, com prisão preventiva decretada pelo juiz Manoel Tenório de Oliveira. Ele voltou a ser interrogado, mas continua negando ter participado da trama que resultou no assassinato. Sob sigilo Amália Lopes será ouvida no cartório da Delegacia de Atalaia pelo delegado local, Ednaldo Marques, para prestar esclarecimentos sobre as acusações que são feitas contra ela pela mãe de Macléia, Inês dos Santos Souza, confirmadas em declarações de testemunhas. A imprensa não terá acesso às declarações da esposa do juiz Willamo, porque o inquérito transcorre em segredo de Justiça. Dona Inês, no entanto, revelou à imprensa detalhes de suas declarações à polícia. Disse haver denunciado ao delegado Ednaldo Marques que a principal suspeita do sumiço e assassinato da filha era Amália, esposa do juiz Willamo de Omena Lopes, segundo ela, uma mulher influente e proprietária rural na região. Macléia teria sido morta porque havia namorada o juiz, com quem tinha um filho, hoje com 1 ano e nove meses. Inês chegou a comentar com o delegado que Willamo de Omena Lopes tinha muito apego pelo filho dele com Macléia e planejava assumir de vez a paternidade do garoto, pois havia perdido o filho mais velho, que morreu numa brincadeira de roleta-russa. Ele não queria mais nada com Macléia, mas gostava da criança. Não somente Amália não se agradava da idéia. Um irmão desta, que tinha acabado de sair do presídio Cirydião Durval, também não admitia tal possibilidade. /// Cicatrizes no corpo do mototaxista Na manhã de ontem, o mototaxista José Sérgio Azevedo da Silva, 35, foi levado pelo delegado Ednaldo Marques para ser submetido a exame de corpo de delito no Instituto Médico Legal Estácio de Lima. A polícia constatou que ele tinha arranhões característicos de unhas, o que levantou suspeitas de que as cicatrizes tenham sido de ferimentos provocados durante o seqüestro e assassinato de Macléia, que foi morta por estrangulamento. O mototaxista garantiu ao delegado de Atalaia que os arranhões foram feitos por sua esposa, há dois anos. ?Se realmente for uma cicatriz antiga, os médicos poderão confirmar ou não, caso ele esteja mentindo?, comentou o delegado. José Sérgio não quis falar sobre sua prisão, e o delegado admitiu que ele voltou a cair nas mesmas contradições do primeiro interrogatório. ?Mudou pouca coisa, nada que determine um novo rumo das investigações desenvolvidas pela polícia, até o momento?, revelou o delegado. A mãe de Macléia, Inês dos Santos, tem certeza de que José Sérgio, o mototaxista que apanhou Macléia em casa, dizendo que iria com ela receber um dinheiro em Teotônio Vilela, está comprometido com a trama montada, segundo Inês, por Amália Miranda. ?Se apertar, ele conta o que fez com minha filha. Mas não parece que estão apertando, pois toda vez que ele vai à delegacia, aparece com uma história diferente?, argumentou ela. A jovem sumiu após sair com Sérgio. Ele declarou à polícia que deixou a jovem numa praça, e que não sabe para onde ela foi. Desmente a versão da viagem, relatada no inquérito por outras testemunhas, declarando que Macléia era ?garota de programa? e que pode ter ?saído com qualquer um?. Inês declarou, ainda, à polícia que suspeita da participação de outra pessoa no crime: o soldado PM Joab, uma espécie de segurança da esposa do juiz. A exemplo de Amália, que quando soube do relacionamento de Willamo e Macléia tentou convencer a moça a pegar o filho e ir embora de Atalaia, o militar tinha igual objetivo ?O Joab estava sentado no sofá de minha casa e insistiu várias vezes que ela [Macléia] deixasse Atalaia, levando o filho. Ela dizia que seu lugar era aqui. Não tinha motivo para fugir. Houve um momento em que o Joab pegou o revólver, retirou as balas e apontou para minha filha, puxando o gatilho em seguida e disse: ?Veja como é fácil matar uma pessoa. É melhor você ir embora??, disse Inês. (EF)