Polícia
Suspeita no caso Macl�ia, esposa de juiz n�o dep�e
EDNELSON FEITOSA A proprietária rural Amália Miranda Lopes, esposa do juiz Willamo de Omena Lopes, da comarca de Anadia, não apareceu ontem para depor na Delegacia de Atalaia sobre o seqüestro, assassinato e ocultação de cadáver da jovem Macléia dos Santos Souza, 23. Amália foi acusada de envolvimento no crime pela mãe da vítima, Inês dos Santos Silva. O delegado Ednaldo Marques afirmou que a apresentação de Amália havia sido acertada entre ele e o advogado dela, Carlos Pedrosa. No horário previsto, Pedrosa compareceu à delegacia, mas não levou sua cliente, alegando que Amália ?não estava se sentindo bem?. Segundo o delegado, a indisposição de Amália prejudicou o bom andamento das investigações, pois com a decretação da prisão preventiva do mototaxista José Sérgio Azevedo da Silva, o delegado agora tem prazo para concluir o inquérito e remeter à Justiça. A ausência também quebrou a seqüência lógica de depoimentos. Se Amália tivesse deposto ontem, o delegado pretendia ouvir, na próxima segunda-feira, o depoimento do soldado PM Joab, intimado para prestar declarações à polícia. ?Fiz uma intimação, por escrito, e solicitei que o advogado Carlos Pedrosa assinasse, comprometendo-se oficialmente a apresentar sua cliente. A notificação garante que ela estará aqui na tarde de segunda-feira?, afirmou ele. A estratégia do advogado, de que sua cliente seja ouvida por último, pode não ter nenhum resultado, pois como o inquérito transcorre em segredo de Justiça, ele não poderá ter acesso aos depoimentos dos outros suspeitos, nem das testemunhas arroladas pela polícia. O advogado Carlos Pedrosa tentou antecipar à imprensa o teor das declarações de Amália Miranda. Segundo ele, José Sérgio Azevedo da Silva, que se encontra preso e acusado de ter sumido com Macléia, tem mesmo uma motocicleta financiada em nome de Amália. No entanto, segundo ele, não foi uma doação da esposa do juiz. ?O Sérgio foi criado na casa do juiz Willamo. Seu irmão, Aparecido, ainda vive com a família do juiz?, declarou. Pedrosa garantiu que José Sérgio paga o carnê da moto antes da data prevista para vencimento, por determinação de Amália. ?Ela fica cobrando dele. Quando vai se aproximando o dia da prestação, ela começa a cobrar?, frisou ele. José Sérgio foi preso e acusado de ter desaparecido com Macléia na noite do último dia 2 de fevereiro. Ele teria, de acordo com as investigações, apanhado a jovem em casa, alegando que pretendia receber um dinheiro em Teotônio Vilela e emprestar R$ 50,00 a ela, que era sua amiga e costumava contratar corridas em sua motocicleta. O advogado Pedrosa disse que Amália Miranda se sente ?magoada? com as acusações da família de Macléia, que coloca o filho da vítima com o juiz Willamo, uma criança de 1 ano e nove meses, como motivo do seqüestro, assassinato e ocultação do cadáver da jovem. ?Ela [Amália] sempre pedia para o marido contribuir com pensão alimentícia do menino e ainda insistia para que ele desse maior assistência ao garoto?, frisou o advogado. Em depoimento ao delegado Ednaldo Marques, a mãe de Macléia confirmou a ajuda. Declarou à polícia que o juiz Willamo de Omena dava 100 reais de pensão para o filho. Pedrosa levanta dúvidas de que o cadáver encontrado num canavial de Boca da Mata seja da jovem desaparecida. ?Vamos aguardar o exame de DNA, que já foi solicitado pelo delegado. Só assim será possível confirmar se o corpo é mesmo de Macléia?, advertiu Pedrosa. O advogado disse que ?não sabe? se Macléia e Amália chegaram a se conhecer ou se conversaram sobre o relacionamento da jovem com o juiz. Na manhã de ontem, o delegado Ednaldo Marques informou que fez buscas na casa de José Sérgio, tentando localizar indícios de sua participação no crime, atendendo à determinação do juiz Manoel Tenório de Oliveira. Ele informou que faltam apenas dois depoimentos e que o inquérito sobre a morte de Macléia será concluído dentro do prazo legal, provavelmente até a próxima sexta-feira.