Polícia
Vereadora de Jundi� � acusada de amea�ar agricultor em briga por terra
Com 65 anos, pai de nove filhos e dependente do que planta, em Jundiá, para sustentar sua família, o agricultor Amaro Nero diz que vem sofrendo ameaças de morte, segundo ele, feitas pela vereadora Maria de Lourdes Emídio, que exerce o quinto mandato na cidade. A disputa é por 26 hectares de terras e já dura dois anos. Amaro Nero afirma que vem sendo perseguido por ?capangas? da vereadora. ?Tudo que eu planto eles [os capangas] destróem?, denunciou Amaro. ?Já houve incêndio que queimou jaqueira, mangueira, cajueiro, bananeira. Ela [a vereadora] já derrubou duas casas em que eu morava. Há dois anos eu vivo este inferno?, denunciou, dizendo que já recebeu várias ameaças de morte. No último sábado, Amaro teria chegado à sua propriedade, por volta das 9h, para descarregar a jaqueira. Segundo ele, foram retiradas da árvore 14 jacas. ?Fui buscar o carro de mão para levar as frutas; quando voltei, não achei as jacas?. Amaro Nero afirmou que foi surpreendido por quatro homens, armados com faca-peixeira. ?Encontrei quatro bandidos em cima da árvore. Corri e apanhei facas?, relatou Amaro, explicando que teve que correr cerca de 800m até a casa de conhecidos, para não morrer. Reintegração de posse O advogado de Amaro Nero, João Uchôa, disse que seu cliente ganhou a ação de reintegração de posse. ?Foi por aclamação?. Agora espera providências. ?Quero falar com o secretário [de Defesa Social] para ver se ele controla a vereadora e os capangas dela. Se não for resolvido aqui em Alagoas, vou ao ministro da Justiça relatar tudo?, disse Uchôa, decidido. Amaro Nero não tem nenhuma fonte de renda e está pleiteando um amparo da Previdência Social. ?Ele depende do que planta e agora não pode usufruir da terra porque teme novas ameaças?, ressaltou o advogado. O advogado de Maria de Lourdes, Amaro Rodrigues, negou que a ação de reintegração de posse esteja concluída. ?A terra é da minha cliente. Temos a escritura de compra e venda?, garantiu, negando também as ameaças feitas a Amaro Nero. ?A gente respeita a idade dele, mas isso é mentira?, disse Rodrigues, argumentando que a vizinhança das terras é pacata. ?Ninguém gosta de confusão lá, não?. O diretor-geral da Polícia Civil, Roberto Lisboa, explicou que o inquérito foi concluído e encaminhado para apreciação da Justiça. ?É a Justiça quem vai dizer de quem é a propriedade: do cidadão que está com a posse, ou da vereadora?. Lisboa avalia que é um problema de convivência. ?Ela alega que tem dez moradores, que cada morador tem quatro filhos e esses meninos vão e desfrutam das árvores. Pedimos a ela para conversar com os empregados e evitar a entrada nas terras até a Justiça definir?, concluiu. A vereadora Maria de Lourdes disse à GAZETA que não tem nada a declarar sobre o caso. (CS)