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Parentes envolvem pitboys na morte de Klebson

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EDNELSON FEITOSA O estudante Klebson Silva de Almeida, 19 ? que no dia 11 de julho do ano passado foi espancado por um grupo de pitboys numa boate em Jaraguá ? foi assassinado na madrugada de domingo, quando saía do show da banda Exaltasamba, na Vila Show, na Serraria. Ele morreu na Unidade de Emergência Armando Lages, por volta das 8 horas da manhã. Mesmo temendo represáliase em clima de medo (leia matéria abaixo), parentes e familiares de Klebson, que não quiseram se identificar, disseram ontem à GAZETA que, desde que os três pitboys presos pelo espancamento do rapaz foram liberados do presídio Cirydião Durval, em Maceió ? onde ficaram mais de 120 dias presos ?, Klebson vinha recebendo ameaças de morte. Testemunha Na manhã de ontem, o chefe de Operações da Delegacia do 4º Distrito, Claudevan Ferreira, esteve com a principal testemunha do crime, um amigo de Klebson, identificado como Nonato. Ele contou ao policial que Klebson, ele e dois amigos saíram do show e estavam procurando um táxi para voltar para casa, no bairro do Poço. Segundo Nonato, Klebson tentou negociar com um taxista, mas achou caro pagar R$ 15,00 e se afastou, tentando atravessar a Avenida Juca Sampaio para conseguir um transporte. Foi então que um Gol branco, supostamente com placa de táxi, ficou entre Klebson e o grupo. Dois homens desceram do carro e um deles atirou na direção de Klebson. Nonato garantiu que não houve nenhuma briga durante o show envolvendo Klebson ou algum integrante do grupo, e assim, não havia motivo para o atentado. Ele anotou a placa do veículo, e a entregou à polícia. Intimação O chefe de Operações do 4º Distrito informou que a placa do Gol é ?quente?. ?Identificamos o veículo e o proprietário, que deve ser intimado para prestar depoimento à polícia?, disse Claudevan Ferreira. Os três amigos do estudante serão notificados pela polícia para prestarem depoimento sobre o assassinato. A família de Klebson também será notificada pelo delegado do 9º Distrito, Fernando Artur, que vai assumir o caso. *** Família pede justiça no sepultamento Em clima de revolta e com parentes e amigos clamando por justiça, o corpo de Klebson Almeida foi enterrado ontem no cemitério de São José, no Trapiche. Liderados pela mãe de Klebson, Kátia Almeida (leia entrevista na página 15), parentes e familiares reiteravam que ele não tinha inimigos e que o espancamento cometido pelos pitboys foi o único episódio grave em que se envolveu. Nenhum familiar quis atribuir abertamente o assassinato a uma suposta vingança, pelo fato de os agressores terem ido para a prisão. ?Tá na cara! O assassinato do meu filho não foi num assalto?, desabafou a enfermeira Kátia Almeida, mãe de Klebson, ao se referir ao crime. Cortejo O cortejo fúnebre seguiu a pé entre o local do velório, no início da Avenida Siqueira Campos, no Prado, e o cemitério. Sua chegada foi precedida por gritos de ?Justiça! Justiça!?, proferidos pelos próprios integrantes; o que, além de chamar atenção, comoveu muitos curiosos que acompanhavam a passagem das calçadas próximas. Ao invés de palavras de consternação, comuns em tais situações, os pais e familiares, que falaram quando o corpo baixou à sepultura de número 71 da quadra 2, desabafaram e cobraram do governo do Estado e da Justiça a solução do caso. Em clima de revolta, os demais presentes, muitos amigos entre eles, reagiram sem conter as lágrimas: ?Disseram que meu filho era maloqueiro, que andava com galera. Veja se aqui tem algum maloqueiro?, desabafou o pai de Klebson, Aloísio de Almeida. Ele também não quis falar, ao ser indagado sobre a quem atribuía o crime. *** Acusados do espancamento respondem processo em liberdade No dia 11 de julho do ano passado, um grupo de pitboys liderados pelo professor de jiu-jítsu Charles Alexandre França, o ?Charlão?, espancou o estudante Klebson Silva de Almeida, 19, no interior da boate Uau, em Jaraguá. Além de ?Charlão?, participaram do espancamento Leandro Albuquerque Ferro, o ?Leleco?, e Paulo Henrique Gouveia. Um quarto integrante do grupo, Tiago Lira, foi apontado como envolvido no caso, mas acabou inocentado pela Justiça. A pancadaria começou porque um cliente teria jogado cerveja num dos pitboys. Eles acharam que tinha sido Klebson e começaram a espancá-lo. A ação dos pitboys foi gravada pelo sistema de segurança da casa, fato que possibilitou a identificação e prisão dos lutadores, que foram indiciados em inquérito pelo então delegado do 2º Distrito, Dalmo Lima, por tentativa de homicídio. No entanto, houve controvérsia de que havia ocorrido lesão grave ou leve, fato que revoltou a família da vítima. Pela violência da agressão e por envolver jovens de classe média, o crime alcançou repercussão nacional e despertou a exigência da sociedade civil organizada de que houvesse punição rigorosa para os acusados, que tiveram prisão preventiva decretada pela Justiça. Os acusados passaram mais de 120 dias presos no presídio Cirydião Durval, no Tabuleiro do Martins. Leandro Albuquerque Ferro foi o primeiro a ser colocado em liberdade, graças a habeas-corpus do Superior Tribunal de Justiça (STJ), em Brasília. ?Charlão? e Paulo Henrique foram soltos no dia 14 de dezembro do ano passado, por meio de alvará de soltura expedido pelo juiz José Braga Neto, da 3ª Vara, com base na decisão do STJ que libertou ?Leleco?. (EF)

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