Polícia
Acusado de matar adolescente j� havia brincado com espingarda
REGINA CARVALHO O corpo da adolescente Hanna Kethelly Silva Taborda, de 12 anos, foi velado durante o dia de ontem no bairro Cruzeiro do Sul e enterrado no final da tarde no cemitério do município de Rio Largo. Inconformados com a morte da garota, familiares de Hanna ainda querem saber o que realmente aconteceu momentos antes de o adolescente F. A., 16 anos, deflagrar um tiro de espingarda no rosto da adolescente. O primo de Hanna, Herbert Silva de Melo, informou que F. A. era ?apaixonado? pela adolescente e já tinha confessado a amigos que queria ?ficar? com ela. ?Ele paquerava Hanna, mas ela não queria. Não demonstrava interesse por ele. Sempre achei F.A. um garoto tranqüilo, não esperava que isso fosse acontecer. Foi um vacilo ter uma arma em casa?, disse Herbert. Ele acrescentou que foi a segunda vez que F.A. pegou na espingarda sem autorização do pai. ?Uma vez ele pegou e começou a brincar; aí o pessoal que estava com ele mandou que guardasse?, informou o primo de Hanna. O acidente aconteceu na tarde da última segunda-feira, numa área dentro da casa de F.A., no Santa Amélia. Ele continua desaparecido. Parentes do adolescente disseram que os pais de F.A. também estão inconformados. ?Não temos dúvida de que o tiro foi acidental e nossa família está em estado de choque. Nossa dor também é grande. Estamos dando todo apoio à família dela?, disse um primo de F.A, que preferiu não ser identificado. Jane Silva, mãe da vítima, acredita que o tiro surgiu de uma brincadeira, mas afirmou não ter certeza do que realmente aconteceu quando os amigos brincavam. ?Eles sempre brincavam juntos. Meu Deus, eu não me conformo, perdi minha filhinha!? ? desabafou, desesperada. Arpão de pesca Segundo parentes da adolescente, F.A, Hanna e mais dois amigos brincavam com um arpão de pesca, quando F. foi buscar uma espingarda de seu pai. ?Ele disse que não tinha bala na espingarda e a Hanna chegou a pegar na arma, mas ele colocou no rosto dela e disparou. Quando ela caiu, já estava morta, daí ele ligou pedindo ajuda?, afirmou Herbert Silva. A vítima morava num condomínio residencial no Medeiros Neto, próximo da casa de F.A, onde foi morta, e costumava brincar com ele e outros amigos do bairro. O primo do adolescente não confirmou a origem da arma. ?Não tenho nada a declarar, só sei que o tiro foi acidental e o meu primo estava brincando com ela. Estamos todos muito tristes?, afirmou.