Polícia
Suspeita, esposa de juiz dep�e no caso Macl�ia
CARLA SERQUEIRA Às 10h de ontem, Amália Miranda Lopes, esposa do juiz de Anadia, Willamo de Omena Lopes, acusada de ter mandado seqüestrar e matar Macléia dos Santos, 23 ? que teve um filho com o juiz ? depôs ao delegado de Atalaia, Ednaldo Marques, no Departamento de Polícia do Interior (Depin), da Secretaria de Defesa Social, em Maceió. O depoimento havia sido anunciado para hoje ? mas era despiste para que fosse tomado sem a presença da imprensa. O processo corre em segredo de Justiça. Questionada sobre telefonemas que teria dado ao mototaxista José Sérgio Azevedo, entre os dias 1º e 5 de fevereiro ? Macléia desapareceu no dia 2 ?, Amália, segundo seu advogado, Carlos Pedrosa, se defendeu explicando que os telefonemas foram para ?cobrar de José Sérgio? as mensalidades da moto que ela teria financiado para ele. ?Ela [Amália] confirmou os telefonemas. Foram três ou quatro ligações, mas todas referentes ao pagamento das parcelas da moto que Amália financiou para Sérgio?, alegou o advogado. Em seu depoimento à polícia, Amália confirmou sua ida à casa de Macléia, há cerca de dez meses. ?Ela [Amália] queria ver o menino ? filho de seu marido, o juiz Willamo, com Macléia ? para confirmar que seria mesmo filho dele?, explicou Pedrosa, afirmando que sua cliente não teve contato com Macléia. ?Elas nunca se encontraram?, garantiu. PM Joab Durante o depoimento, Amália foi interrogada sobre a sua ligação com o PM Joab, que, segundo a família de Macléia, era uma espécie de segurança particular de Amália. ?Ela negou ter ligação com Joab. Ele [o PM] foi uma vez à sua casa, a pedido de Willamo?, afirmou Carlos Pedrosa, dizendo, ainda, que Amália, quando perguntada se sabia da visita do PM a Macléia, confirmou: ?Ela [Amália] sabia que o Joab tinha ido à casa de Macléia a pedido de seu marido?, disse o advogado. Segundo ele, Willamo teria ?pedido? para o policial ?sugerir? que Macléia deixasse a cidade com o filho. ?Willamo queria que ela fosse morar em qualquer outro lugar?, resumiu. O advogado de defesa de Amália Miranda afirma que ela não tinha nenhum interesse em afastar Macléia de Atalaia. ?Por ela [Amália], Macléia vivia a vida toda na cidade?. Pedrosa, no entanto, confirma que o casal vivia em conflito por causa de Macléia. ?Hoje estão vivendo unidos. Antes, tinha este probleminha [Macléia], mas já foi resolvido há anos?. *** Inquérito deve ser concluído até 6ª feira O delegado de Atalaia, Ednaldo Marques, tem até a próxima sexta-feira, dia 11, para concluir o inquérito que investiga o seqüestro, morte e ocultação do cadáver de Macléia dos Santos, encontrada morta, com sinais de estrangulamento, num canavial em Boca da Mata, no dia 27 de fevereiro, depois de 25 dias desaparecida. Segundo o chefe de Operações Policiais de Atalaia, Júnior de Melo, ?falta fazer algumas diligências?. De acordo com ele, o laudo do Instituto Médico Legal (IML) referente ao exame de corpo de delito realizado em José Sérgio, para apurar a causa de uns arranhões que o suspeito tem no pescoço, ainda não foi concluído. ?Também estamos aguardando o resultado da necropsia realizada no corpo de Macléia?. De acordo com o policial, este exame vai revelar como, exatamente, Macléia foi morta. ?A partir dele, vamos saber se a vítima sofreu tortura, abuso sexual e como veio a falecer?, garantiu Melo. Sobre o exame de DNA, solicitado pelo delegado para confirmar se o corpo encontrado em Boca da Mata é mesmo de Macléia, Júnior Melo afirmou que o resultado não será necessário para a conclusão do inquérito. ?Uma coisa não depende da outra?. A mãe de Macléia, Inês dos Santos, foi ouvida mais uma vez, ontem, na delegacia de Atalaia. Segundo ela, o escrivão fez perguntas sobre o seu esposo, pois ele foi citado por José Sérgio no depoimento que deu à polícia. ?Sérgio está querendo acusar meu marido (que não é o pai de Macléia) no assassinato?, disse, explicando que José Sérgio tem interesse em encontrar outro suspeito para ser libertado. ?Ele [o marido] estava de viagem pronta quando Macléia desapareceu. Não tem nada a ver?, confirmou. João dos Santos, esposo de Inês, foi trabalhar em Mato Grosso, no corte de cana, e viajou uma semana depois do desaparecimento de Macléia. ?Eles [Macléia e João] sempre se deram muito bem?, garantiu Inês. (CS)